Após terminar o primeiro turno da disputa presidencial atrás de Flávio Bolsonaro (PL), a articulação petista promoveu uma reformulação estratégica para reverter o cenário na etapa final do pleito.
Nova estrutura e central de inteligência
Entre as mudanças logísticas, foi instalada uma sala de situação no QG da capital federal logo em 5 de outubro, o dia posterior à votação inicial. O comando desse núcleo ficou sob a responsabilidade do secretário de Organização do PT, Laércio Ribeiro de Oliveira.
O grupo contava com a participação do senador Camilo Santana (PT-CE) e do presidente do PT, Edinho Silva, além de um corpo técnico dedicado a processar informações detalhadas para desenhar abordagens específicas em cada território do país. A meta era mapear onde a prioridade seria elevar a rejeição a Flávio Bolsonaro, onde valeria a pena impulsionar mensagens otimistas em favor de Lula, e em quais locais uma intervenção agressiva poderia acabar despertando a base adversária.
Vale destacar que a diferença registrada nas urnas na primeira etapa foi a menor desde a redemocratização. Com a totalidade da apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio alcançou 47,03% dos votos válidos, enquanto o atual chefe do Executivo obteve 45,16%, configurando um intervalo de apenas 1,87 ponto percentual. Na decisão, contudo, Lula garantiu a reeleição com 51,79%, superando os 48,21% do opositor.
Ajustes na coordenação nacional
Na avaliação inicial, Laércio Oliveira pontuou que o grupo apostou na bagagem acumulada no vitorioso pleito de 2022 contra Jair Bolsonaro, priorizando a estruturação de comitês e articulações com centrais sindicais, movimentos sociais e partidos aliados.
O dirigente declarou: “Somado a isso, a gente tinha a organização do Pode Espalhar, que era uma coisa montada em 2022, aprimorada um pouco, mas era orgânico, alcançava mais a militância. Tivemos o Porta-voz do presidente Lula, sob a coordenação do Boulos, para tentar ampliar o simpatizante que não era do PT, mas que era progressista, mas, na prática, esse engajamento só aconteceu no segundo turno com [André] Janones, que extrapolou a bolha”.
Para oxigenar a campanha, a coordenação nacional incorporou três nomes nordestinos de peso: Camilo Santana assumiu a articulação política; o senador eleito Rui Costa (PT-BA) ficou encarregado da agenda; e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, assumiu o comando da comunicação.






