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Supercomputador da UFMG revoluciona mapeamento territorial no Brasil

Supercomputador desenvolvido pela UFMG é capaz de produzir mapas mais detalhados do território brasileiro

A ciência brasileira conta com um novo e potente recurso tecnológico voltado para a gestão territorial e a mitigação de tragédias ambientais. Trata-se de uma máquina de alto desempenho projetada para gerar representações geográficas extremamente precisas de todo o país.

A inteligência artificial por trás do Soberano O equipamento, nomeado de “Soberano”, nasceu nos laboratórios da Universidade Federal de Minas Gerais. Sua principal capacidade técnica consiste em rodar milhares de modelos de inteligência artificial de forma simultânea, focando em frentes cruciais como recursos hídricos, cobertura vegetal, análises de solo e o setor agropecuário.

Utilizando informações coletadas por satélites e veículos Aéreos não tripulados, a tecnologia entrega uma nitidez visual seis vezes superior aos padrões atuais. Enquanto antigamente a análise de um afluente do Rio São Francisco oferecia uma perspectiva limitada, o sistema agora revela minuciosamente as características do relevo e do próprio leito fluvial.

“Desde o mapeamento geológico, prospecção mineral, o risco geológico, a inundação, secas… Tudo isso pode ser muito beneficiado por esse tipo de ferramenta. Porque a gente vai ter uma velocidade muito maior na hora de processar os dados. Então, isso traz para a gente velocidade e uma resposta para a sociedade muito mais rápida”, afirma Clyvihk Renna, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil.

Aplicações estratégicas e combate a crimes ambientais Além do monitoramento hídrico, a inovação otimiza a busca por minerais críticos, a exemplo das terras raras, e expõe dados logísticos de qualquer localidade. Um exemplo prático ocorreu na Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, onde a plataforma detectou centenas de vias não oficiais nos arredores da rodovia BR-163.

“São várias aplicações. Também é o combate ao desmatamento, desmatamento ilegal em uma área onde não deveria ter a construção de uma rodovia e ela está acontecendo, uma estrada ilegal está sendo feita. E seria praticamente impossível fazer apenas com os olhos humanos”, conta Raoni Rajão, coordenador do Centro Tecnológico de Modelagem Ambiental.

Agilidade para o agronegócio e metas para 2027 O setor agrícola também se beneficia diretamente com a novidade, já que os produtores ganham rapidez na identificação de suas safras. Um cafeicultor, por exemplo, poderá comprovar em questão de minutos a origem legal de sua produção, simplificando as negociações voltadas para o mercado internacional.

Atualmente, menos de 10% do solo brasileiro possui o padrão de detalhamento que a máquina consegue atingir, alcançando a proporção de um por 25 mil, onde cada centímetro representa 250 metros. A meta estipulada pelos cientistas é entregar mapas temáticos de seis estados até o encerramento de 2027, fortalecendo a formulação de políticas públicas embasadas em dados recentes.

“A grande vantagem do supercomputador é extrair informação dessas imagens de forma automática. Então, todas essas imagens de satélite são lançadas diariamente, vão poder ser rapidamente analisadas para fazer a cartografia, que permite instituições públicas, governamentais tomar a decisão em cima de mapas atualizados”, explica Sônia Carvalho Ribeiro, coordenadora do projeto Geo LID.

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