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Dólar abre em queda nesta terça-feira após forte alta motivada pela vitória de Lula

Dólar abre em queda, com eleições ainda no radar e à espera do Fed

O mercado financeiro iniciou esta terça-feira (27) monitorando os desdobramentos políticos e econômicos após o resultado do pleito presidencial. A moeda americana abriu a sessão em baixa de 0,06% por volta das 9h, cotada a R$ 5,3992, enquanto a bolsa brasileira prepara sua abertura para as 10h, refletindo o cenário de instabilidade recente.

Repercussão da vitória e o impacto fiscal

O triunfo de Lula (PT) com 51,78% dos votos válidos contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou as projeções dos agentes econômicos para o câmbio e as contas públicas. A incerteza quanto à condução das despesas estatais gerou uma forte reação na véspera, quando o dólar disparou 8,21% e o Ibovespa despencou 13,88%, acionando o mecanismo de circuit breaker.

Especialistas apontam que a credibilidade das contas públicas ditará o tom dos negócios daqui para frente. “O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

A equipe econômica, por sua vez, tenta sinalizar medidas para conter o endividamento. “Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.

Cenário internacional e juros nos Estados Unidos

Fora do país, as atenções se voltam para a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, prevista para o dia seguinte. A expectativa majoritária aponta para a manutenção das taxas de juros, com investidores atentos aos desdobramentos da política monetária e a eventuais pronunciamentos de dirigentes da instituição.

Além da economia norte-americana, o radar global inclui as eleições em Israel — marcadas pelo primeiro pleito após o conflito em Gaza — e a volatilidade nos preços do petróleo. O barril do tipo Brent operava em queda de 0,80% perto das 9h15, cotado a US$ 114,88, pressionado por instabilidades geopolíticas no Oriente Médio.

Incertezas jurídicas e reflexos na América Latina

O ambiente político interno também carrega riscos de contestações judiciais. A decisão do Supremo Tribunal Federal de estender o horário de votação gerou reações contrárias e discussões sobre a lisura do pleito. “Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.

Os reflexos da volatilidade brasileira também atingiram os vizinhos sul-americanos. Na Argentina, o índice bursátil MSCI Merval recuava 4,50% no fim da manhã. “O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo […] num mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses — entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França —, uma lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, afirmou o economista Gustavo Ber.

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