A determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para estender o horário de votação não foi suficiente para impedir o encerramento das atividades em seções eleitorais de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A liminar foi assinada exatamente às 17h01 deste domingo, 25, apenas um minuto após o término oficial do pleito, momento em que os tribunais regionais já tinham lacrado as urnas eletrônicas.
Impasse entre STF e TSE
O conflito de horários provocou um impasse institucional entre a Suprema Corte e a Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou a contagem dos boletins de urna, mas precisou paralisar a totalização logo após a ordem de Zanin, suspendendo a divulgação com apenas 1.225 das 499.248 seções apuradas.
Motivação da liminar
O pedido de extensão foi apresentado em conjunto pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que argumentaram a ocorrência de alagamentos e falhas severas no transporte público. Por outro lado, o Ministério Público Eleitoral posicionou-se de forma contrária à ampliação de duas horas no período de votação.
Situação nas capitais
Na capital paulista, locais tradicionais como a Universidade Presbiteriana Mackenzie mantiveram os acessos bloqueados mesmo após a divulgação da medida judicial. Na Mooca, a Escola Estadual Antônio de Queiroz Telles recebeu a notícia dez minutos depois do desligamento dos aparelhos. Já na Vila Mariana, o Colégio Liceu Pasteur chegou a fechar as portas e retomou o atendimento brevemente.
Em frente ao Mackenzie, Carlos Afonso aguardava para que o avô, de 89 anos, pudesse votar. “É difícil ele se locomover sozinho, então ele depende muito de nós, netos, para ajudá-lo na votação”, disse ao portral Metrópoles. “Depois que a gente viu que teve a prorrogação e o tempo parou de chover, ele falou: ‘sim, quero votar, eu vou votar’ e aí eu trouxe ele de carro.”
Em Belo Horizonte, a medida apanhou o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais desprevenido, resultando no fechamento de escolas estaduais e na dispensa de mesários antes que a ordem oficial chegasse. No Rio de Janeiro, o cenário repetiu-se no Ciep Presidente Tancredo Neves, no Catete, onde os fiscais constataram a impossibilidade técnica de reativação das máquinas após a impressão dos relatórios finais.
“Como é algo inédito, não sabemos o que fazer, não fomos oficializados”, afirmou um fiscal ao O Globo. “Se já tem urna encerrada, não tem como reabrir. Então, essas pessoas vão ficar sem votar.”
Com os equipamentos já selados e equipes liberadas, eleitores que compareceram aos locais de votação após o horário oficial enfrentaram barreiras físicas e ficaram impossibilitados de registrar seus votos, inaugurando um cenário de incerteza jurídica no país.






