A frota de ônibus municipais em São Paulo atingiu apenas 71,04% de operação às 14h40 deste domingo (25), dia de segundo turno da eleição presidencial. O patamar ficou distante dos 100% determinados pela Justiça Eleitoral em níveis equivalentes aos dias úteis.
Dados de circulação e denúncias
O mapeamento foi obtido por meio do BusInfo, um aplicativo de mobilidade urbana privado que rastreia o transporte público em tempo real. No total, a capital conta com 13.767 coletivos, mas somente 9.786 veículos estavam nas ruas no horário do levantamento. Enquanto a operação habitual de domingo costuma abranger cerca de 35% da frota — o equivalente a aproximadamente 4.900 ônibus —, o descumprimento da ordem judicial gerou acusações. O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou a Justiça Eleitoral apontando que a prefeitura operava com apenas 60% dos veículos, enquanto relatos de moradores apontavam saídas de garagens sem a efetiva circulação e longas filas em várias regiões.
Impacto nos bairros e regiões
Passageiros registraram dificuldades e longas esperas em pontos de diferentes zonas da cidade, como Jaraguá e Vila Zilda, na Zona Norte, além da Avenida Ibirapuera, da Estrada do M’Boi Mirim e do Jardim Ângela, na Zona Sul. Na divisão por áreas, o Sudeste registrou o menor índice de circulação, com 57,13% da frota ativa. Em contrapartida, a região Oeste apresentou o maior percentual, com 75,02% dos veículos em operação.
Posicionamento oficial
“A SPTrans informa que foi notificada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) às 13h10 do sábado 24 de outubro sobre a determinação de colocar 100% da frota de ônibus municipais em operação neste domingo (25), com menos de 12 horas de antecedência em relação ao início da operação.”
“Imediatamente após receber a notificação, às 13h32, a SPTrans agiu de forma diligente e proativa, comunicando todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade e transmitindo a determinação judicial para adoção das providências necessárias ao seu cumprimento. A atuação da empresa foi pautada pela agilidade, pela transparência e pelo compromisso com a prestação do serviço público de transporte.”
“É importante considerar, contudo, que a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos. Os operadores relataram dificuldades para readequar, de forma imediata, escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas. A programação dos profissionais também havia considerado o direito à folga e a organização necessária para assegurar o exercício do voto, o que torna ainda mais complexa uma alteração dessa magnitude na véspera da eleição.”
“O planejamento originalmente estabelecido pela SPTrans foi elaborado com base em critérios técnicos e em dados efetivos de demanda. No domingo anterior, aproximadamente 6,9 mil ônibus estiveram em operação, oferecendo cerca de 8 milhões de lugares e transportando 3,4 milhões de passageiros. Esses indicadores subsidiaram a definição de uma oferta de transporte compatível com o comportamento observado da demanda.”
“Cabe destacar, ainda, que o plano operacional havia sido encaminhado previamente aos órgãos eleitorais competentes, sem questionamentos registrados até então, e foi adotado no primeiro turno. A programação foi divulgada com transparência, por meio de comunicados à população e aos órgãos responsáveis.”
“A SPTrans respeita as determinações da Justiça Eleitoral e atua para viabilizar o atendimento à população, observadas as condições operacionais necessárias à execução do serviço. A necessidade de alteração de um planejamento previamente estruturado, quando comunicada com antecedência inferior a 12 horas, deve ser analisada à luz das condições concretas de mobilização de veículos e profissionais, sem desconsiderar os impactos sobre a organização do trabalho e o direito ao voto dos trabalhadores.”
“Ressalta-se que a tarifa de ônibus municipais permanece gratuita aos domingos, conforme a política do Domingão Tarifa Zero, em vigor desde dezembro de 2023, garantindo à população o acesso ao transporte público sem cobrança de passagem.”
“A SPTrans permanece monitorando a operação e a disponibilidade da frota, atuando junto às concessionárias para assegurar o atendimento aos passageiros e contribuir para que todos possam chegar aos seus destinos, inclusive aos locais de votação, com segurança e eficiência.”
A determinação judicial previa multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, em caso de descumprimento das ordens estabelecidas para o pleito.






