A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi marcada pela forte participação de eleitores da geração Z, com idades entre 16 e 30 anos. Essa faixa etária utilizou desde carreatas digitais até mobilizações musicais, criando novas dinâmicas de engajamento político tanto no ambiente online quanto nas ruas.
H2: Estratégias inovadoras na política digital Essas iniciativas refletem uma aproximação maior entre a política e o entretenimento, especialmente nas redes sociais, diz Issaaf Karhawi, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e pesquisadora da cultura dos influenciadores digitais.
Segundo ela, estes novos formatos ajudam a levar o debate político às novas gerações.
“Isso também é fazer comunicação política, reconhecer que há diferentes gerações e que é preciso conversar com cada uma delas por vários meios”, afirma.
Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Locomotiva, afirma que essas novas ferramentas reinventam e potencializam um comportamento político característico das gerações mais novas.
“O jovem sempre se mobilizou com as ferramentas, a estética e a cultura que tinha na mão. Foi assim no movimento estudantil, nos festivais de música, com os caras-pintadas, com o hip-hop. O que muda agora é a escala. A internet se universalizou, e com ela uma cultura que nasce e circula na rede: o jogo online, o fã-clube, o funk, o meme”, diz.
H3: Carreatas virtuais e atos universitários Uma das iniciativas mais inusitadas, as carreatas virtuais no Roblox mobilizam apoiadores das duas campanhas. Elas simulam atos do mundo real e contam com buzinaços, faixas e até “showmícios” de avatares de artistas que já morreram, como Kurt Cobain e Renato Russo.
Nas ruas de São Paulo, estudantes universitários também protagonizaram manifestações polarizadas em frente a instituições como Mackenzie, USP, PUC-SP e Insper, misturando funk de campanha e palavras de ordem.
H3: Funk e blocos de rua na campanha de Flávio Bolsonaro O funk ganhou espaço e foi hit entre os jovens que apoiam o candidato do PL. Músicas populares tiveram suas letras adaptadas com mensagens de apoio ao candidato e críticas ao PT. Uma das versões que mais ganharam destaque traz o refrão “Quem ficar parado é petista disfarçado”, usado para incentivar o público a dançar e pular durante as manifestações.
Além disso, os atos inspirados em festas populares, como o “Bloquinho do 22”, atraíram grandes públicos para as ruas durante o segundo turno, impulsionados pela atuação digital de parlamentares aliados.
H3: O poder dos fandoms e adesivos pop para Lula Do lado petista, a campanha contou com o reforço inédito dos fandoms de artistas pop e grupos musicais, além de adesivos colecionáveis com frases bem-humoradas que viralizaram entre o público jovem nas redes sociais.
Ao subir no carro de som da Av. Paulista em 11 de outubro, Lula agradeceu a aliados tradicionais e novos: “Não sei se começo minha fala dizendo ‘companheiros e companheiras’, ou se começo dizendo ‘fandoms do Brasil, obrigado pela iniciativa de vocês’”.
H2: O impacto real dos jovens nas urnas As pesquisas eleitorais mostraram variações na preferência desse eleitorado ao longo da disputa, com divisão clara apontada por especialistas entre gêneros. Enquanto jovens mulheres tendem a apoiar o governo atual, os homens jovens demonstram maior inclinação pela oposição.
Para além das telas, especialistas ressaltam que o verdadeiro impacto dessas ações ocorre quando o engajamento digital transborda para conversas cotidianas entre familiares e amigos, transformando curtidas em influência real nas urnas.






