O confronto final entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado nesta sexta-feira (23), marcou o encerramento dos debates antes do segundo turno das eleições, programado para domingo (25). O evento promovido pela TV Globo foi marcado por embates diretos, troca de acusações e apresentação de plataformas de governo para o país.
A visão sobre o desempenho de Flávio Bolsonaro
Para o comentarista André Marsiglia, a postura do candidato do PL foi determinante para o resultado do encontro.
“Flávio Bolsonaro vence o debate mais uma vez. Se no primeiro debate, Band e Jovem Pan, Flávio Bolsonaro já tinha vencido por ter se comportado de forma calma e moderada diante de um Lula irritado e nervoso, agora, nesse segundo debate, além de calmo e moderado, Flávio também foi propositivo. E isso desarmou um Lula que se preparou para o tudo ou nada. Veio apelativo, trouxe armadilhas e armou golpes debaixo da cintura. Só que Lula não esperava que Flávio não dialogasse com isso. Esse tipo de comportamento, golpes debaixo da cintura, só é eficiente se o seu adversário entra na mesma vibração que você. E Flávio não entrou. Flávio fez o que a sua campanha anunciou fazer durante toda a semana. Ou seja, Flávio foi menos Pablo Marçal e mais Tarcísio. Calmo, moderado, propositivo. Flávio venceu mais uma vez o debate. A tendência é que isso faça com que as pesquisas que já anunciavam Flávio à frente permaneçam exatamente dessa mesma forma.”, afirmou André Marsiglia.
Avaliações de empate técnico entre os candidatos
Por outro lado, Fábio Piperno avaliou que o duelo terminou sem um vencedor claro, destacando a previsibilidade do confronto e os momentos de tensão gerados pelas estratégias de ambos os lados.
“O último grande ato dessa campanha eleitoral terminou de forma mais ou menos previsível. O debate da TV Globo mostrou Lula e Flávio Bolsonaro trocando acusações, como já era de se imaginar. O presidente, obviamente, tentando defender o seu legado, Flávio Bolsonaro apontando aquilo que ele identificou como supostas falhas do governo Lula, erros do presidente e, claro, tentando tomar a ofensiva. Flávio Bolsonaro, mais treinado para administrar, por exemplo, a questão do tempo, acabou, no começo, impressionando mais. Só que o presidente Lula contra-atacou bem no seu velho estilo, atingindo de forma cirúrgica o adversário, especialmente na questão dos nove dedos. Flávio Bolsonaro, nesse momento, fez um comentário grosseiro, e Lula, enraivecido, pediu direito de resposta e acabou devolvendo de forma agressiva. Sem dúvida nenhuma, esse foi um momento que certamente vai dar às redes sociais cortes até o momento da eleição. Talvez tenha sido o fato mais marcante desse debate. Agora é sentir como vai ser o pós-debate, porque uma coisa é o falatório na televisão, lá no palco. Outra coisa é como as redes digitais vão receber e responder a tudo que os candidatos fizeram.”, pontuou Fábio Piperno.
Estratégias e embates sobre propostas
Cristiano Beraldo também enxergou vantagem para o senador, ressaltando a diferença de postura e a abordagem de temas sensíveis durante o programa.
“Mais um debate presidencial se encerra sem que as propostas para o Brasil tenham sido protagonistas de um debate que durou mais de uma hora e meia entre os dois finalistas da corrida presidencial de 2026. Luiz Inácio Lula da Silva usou a estratégia de tentar colar em Flávio Bolsonaro a imagem de alguém que não é confiável, alguém que tem problemas com a Justiça, alguém que no passado adotou posições que contrastam com essas que Flávio Bolsonaro vem defendendo na campanha presidencial. O problema é que Lula se embananou demais com as regras do programa, teve dificuldade em acompanhar a dinâmica do tempo e também usou um tom acima, sempre de uma forma mais agressiva nas suas respostas. […] Do outro lado, Flávio Bolsonaro adotou a postura oposta de Lula, de tentar parecer alguém mais sóbrio, mais tranquilo, mais sereno, e falou de uma forma muito objetiva sobre os temas que são os mais sensíveis dessa campanha, como violência, endividamento das famílias brasileiras e a questão da proteção das mulheres. No final, acho que haverá pouca influência de mudança de voto, mas, numa avaliação total, me parece que Flávio Bolsonaro se saiu melhor nesse debate.”, declarou Cristiano Beraldo.
Críticas ao nível das discussões
Já Cristiano Vilela apontou que nenhum dos concorrentes conseguiu atrair o eleitorado indeciso de forma efetiva, destacando falhas de postura de ambos os lados.
“Lula e Flávio Bolsonaro não conseguiram convencer o eleitor que ainda está indeciso nessa reta final de segundo turno das eleições de 2026. Tivemos um debate que, embora tenha sido um pouco melhor do que o debate anterior, com alguma discussão de propostas ou de ideias, ainda assim foram inúmeros os momentos quinta-série, com discussões e ofensas trocadas de um lado e de outro lado, que não levaram a nada e que fizeram com que o telespectador muitas vezes perdesse a atenção e o interesse no debate. Flávio Bolsonaro talvez tenha se saído um pouco melhor do que Lula, com colocações mais firmes. No entanto, ele ainda pecou bastante em relação às suas ironias e até um certo desrespeito em relação ao presidente Lula. Lula, por sua vez, se mostrou bastante confuso com relação a regras, com relação a determinadas falas em que ele se perdia e não conseguiu aproveitar a oportunidade de marcar posição. No final das contas, esse debate foi um marco do processo eleitoral de 2026, um processo eleitoral confuso, pobre de ideias e que vai fazer o eleitor ir às urnas sem ter certeza, sem ter segurança se estará escolhendo o melhor caminho para o país.”, avaliou Cristiano Vilela.
Por fim, Roberto Motta reforçou a percepção de consolidação de imagem dos presidenciáveis.
“O debate da TV Globo não trouxe muitas surpresas, mas serviu para consolidar a imagem do Flávio. O formato do debate não foi muito bom, foi um formato artificial, engessado, pasteurizado. E um formato que acabou sendo profundamente desconfortável para o candidato do PT, que em vários momentos estava claramente confuso. […] O candidato do PT falava olhando para Flávio e Flávio falava olhando para a câmera. O que mostra que um deles treinou, ensaiou para o debate, o outro não. Flávio gastou a maior parte do tempo com propostas, enquanto o candidato do PT se concentrou em atacar o seu adversário, o que é uma estratégia de quem está numa situação difícil. […] Eu acho pouco provável que esse debate mude o voto de alguém. Debates não costumam mudar voto, mas acho que ele serviu para reforçar a percepção que muita gente já tinha no primeiro debate. Ele reforçou a imagem de fragilidade, de confusão, de despreparo e de arrogância do candidato do PT e mostrou Flávio muito seguro, passeando pelo palco, se expressando com clareza e endereçando exatamente aqueles temas que são importantes.”, concluiu Roberto Motta.






