O eleitorado do Nordeste, historicamente associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem potencial para desempenhar um papel crucial em uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo avaliação da diretora técnica da Futura Inteligência, Paula Orrico.
Crescimento expressivo no Nordeste
Apesar de ter sido superado nos nove Estados nordestinos no primeiro turno, Flávio registrou um desempenho superior ao de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na primeira etapa da eleição realizada quatro anos antes. Enquanto Jair obteve 8,8 milhões de votos em 2022, o atual candidato do PL alcançou 10,4 milhões de eleitores na região em 2026, representando um acréscimo de 1,6 milhão de votos, equivalente a uma alta de 18%.
Esse avanço foi determinante para que o senador encerrasse o primeiro turno à frente do atual presidente. Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que Flávio conquistou 47,03% dos votos válidos, superando os 45,16% de Lula. Em números absolutos, o liberal obteve 56,1 milhões de sufrágios contra 53,9 milhões do adversário petista.
Mudança de comportamento e queda de apoio
Se os nordestinos que migraram para a candidatura de Flávio tivessem optado por Lula, o cenário do primeiro turno seria outro. No entanto, a diretora da Futura aponta que o representante do PT tem registrado retração de apoio na região, acompanhada por uma transformação na postura das eleitoras brasileiras em direção a pautas conservadoras.
“Lula segue à frente entre as mulheres e os nordestinos, mas o público fiel a ele vem diminuindo, inclusive entre essas parcelas do eleitorado”, afirma a pesquisadora. “É perceptível o aumento da popularidade de pautas mais conservadoras.”
Projeções e cenários para o segundo turno
A vantagem inicial de Flávio foi mapeada pela Futura Inteligência em parceria com o projeto 100% Cidades, antecipando o cenário que viria a se confirmar nas urnas, enquanto outros institutos apontavam o petista na liderança na véspera do pleito.
Recente levantamento divulgado pela mesma parceria colocou o senador com 48,9% das intenções de voto, frente a 46,8% de Lula. Considerando apenas os votos válidos, o candidato do PL lidera com 51,1% contra 48,9%.
Diante do avanço regional e do cenário político atual, Paula Orrico avalia que a tendência aponta para a confirmação da vitória do parlamentar. “Há ainda o resultado da votação de 4 de outubro e a associação que o eleitor faz do atual governo com o STF, que tem desaprovação acima dos 50%”, afirma a diretora técnica da Futura Inteligência. “Com todo esse cenário, a onda de direita deve ganhar.”






