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Fruticultura de Mogi das Cruzes supera desafios e prepara terceira geração

“Meu pai me permitiu errar”: como uma fruticultura de Mogi das Cruzes preparou a terceira geração

Comandada por Ercílio Massahito Hoçoya e seu pai, Takeo Hoçoya, a Fruticultura Hoçoya, localizada no bairro Cocuera, em Mogi das Cruzes (SP), é referência na produção de caqui. A propriedade representa a terceira geração de uma família que acumula décadas de dedicação ao cultivo da fruta e que já conquistou dezenas de premiações em uma cooperativa.

O desafio da sucessão no campo

Apesar da tradição, a realidade do setor preocupa. Ercílio aponta que a grande maioria dos produtores de caqui Fuyu da região tem idade avançada e não conta com sucessores. Os dados oficiais reforçam esse cenário. De acordo com o Censo Agropecuário do IBGE, apenas uma parcela reduzida dos produtores brasileiros tinha menos de 35 anos, enquanto mais da metade ultrapassava os 55 anos. A próxima edição da pesquisa incluirá a sucessão rural entre os temas avaliados.

A trajetória da família começou quando os avós de Ercílio, imigrantes japoneses, decidiram deixar Guarulhos (SP) em busca de novas oportunidades. Enfrentando terras pedregosas e falta de água, a avó encontrou em um jornal o anúncio de uma propriedade à venda em Biritiba Mirim (SP), que já contava com um pomar de caqui.

Inovação e reconhecimento no cultivo

Sem experiência anterior com a fruta, a família buscou orientação em uma cooperativa para aplicar técnicas de proteção nas plantas. Com o manejo adequado, o ciclo de amadurecimento mudou, permitindo colheitas tardias que atraíram a atenção de produtores de todo o país. A qualidade rigorosa garantiu à família o título de melhor produtora de caqui da instituição por três décadas consecutivas.

A preocupação com a identidade do produto também antecedeu tendências de mercado. Ainda na década de 1960, os produtores criaram uma logomarca e padronizaram embalagens focadas na quantidade de fruta em vez de proteções excessivas. O nome inicial, Fruticultura Presidente, surgiu da inspiração de que um caqui apreciado pela realeza merecia destaque nacional.

Diversificação e aprendizado com erros

Para driblar os períodos sem safra de caqui, a propriedade investiu ao longo dos anos em outras culturas, como nêspera, abacate, lichia, goiaba e pitaya. Atualmente, a colheita ocorre em dez meses do ano, consolidando o objetivo de manter uma produção diversificada e exemplar.

Após morar no Japão e perceber que os irmãos não assumiriam o negócio, Ercílio decidiu retornar para dar continuidade à história da família. Ao voltar, assumiu uma área menor para que eventuais falhas não comprometessem a produção geral. “Meu pai me permitiu errar”, relata.

Atualmente, Ercílio moderniza ferramentas e processos produtivos, enquanto os pais continuam ativos na rotina da propriedade. Sobre o futuro e a continuidade do legado, ele resume a responsabilidade dos atuais gestores: “você tem que preparar o seu sucessor”.

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