O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro encontraram pontos de concordância em sete áreas econômicas durante o debate da TV Globo realizado nesta sexta-feira (23). O confronto marcou o encerramento da campanha para o segundo turno, que acontece neste domingo (25). Entre os temas alinhados estão o Bolsa Família, ferrovias, MEIs, alívio fiscal, renegociação de dívidas, salário mínimo, aposentadorias, tarifa zero aos finais de semana e o veto a privatizações.
Bolsa família e salário mínimo
Durante a discussão sobre poder de compra e programas sociais, Lula destacou a ampliação das redes de proteção. Por sua vez, Flávio reafirmou o compromisso de manter o piso de R$ 600 no Bolsa Família e propôs uma regra de transição para beneficiários que conseguirem inserção no mercado de trabalho formal.
Na questão salarial, o atual mandatário questionou se o adversário manteria a política de valorização acima da inflação atrelada ao PIB. Em resposta, o candidato do PL declarou: “Com certeza eu vou reajustar sim salário mínimo acima da inflação, aposentadoria acima da inflação”. A medida também abrangerá pensionistas, trabalhadores rurais e beneficiários do BPC.
Infraestrutura e ferrovias
O setor logístico também gerou consenso entre os postulantes ao Planalto, com foco na conclusão e expansão de malhas ferroviárias fundamentais para o escoamento da produção nacional. Os projetos citados englobam a Transnordestina, a Ferrovia de Integração Leste-Oeste (Fiol) e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico).
Enquanto o atual governo pontuou os investimentos executados pelo Novo PAC em rodovias, ferrovias e hidrovias, o parlamentar prometeu “rasgar o Brasil de ferrovias”, priorizando corredores logísticos para baratear o transporte de grãos e proteínas animais em direção aos portos do Sul.
Microempreendedores e dívidas
O debate econômico abrangeu ainda o apoio aos microempreendedores individuais e o endividamento das famílias. Lula ressaltou a criação de milhões de MEIs e os leilões de deságio promovidos pelo programa Desenrola.
Em contrapartida, Flávio sugeriu que a Caixa atue como um banco de prosperidade para comprar carteiras de dívidas privadas e refinanciá-las com taxas reduzidas. O oposicionista também defendeu o direcionamento de crédito para periferias, utilizando os termos “Itaú das Favelas” e “Bradesco da Periferia”, além de propor o programa “Ganha, Ganha”.
Tarifa zero e o debate sobre privatizações
A mobilidade urbana ganhou destaque com a proposta de transporte público gratuito nos fins de semana. O petista defendeu a medida como direito ao lazer e à convivência familiar, associando o tema ao fim da escala 6×1. O senador aderiu prontamente à ideia ao afirmar: “Bom candidato, eu sou a favor da tarifa zero para os ônibus nos finais de semana. Sou super a favor disso”.
No tema das empresas estatais, o candidato do PL buscou afastar críticas sobre o desmonte do patrimônio público ao rebater acusações de adversários. O político assegurou: “Eu não vou privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras. São essas as fake news que ele tá contando”.
O encerramento da disputa revelou um pragmatismo em torno de políticas sociais e econômicas, exigindo que o futuro presidente equilibre essas demandas populares com a responsabilidade fiscal entre 2027 e 2030.






