O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) finalizaram neste sábado (24) suas campanhas para o segundo turno da eleição presidencial. Os candidatos realizaram mobilizações em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, acirrando a disputa às vésperas da votação marcada para este domingo (25).
As agendas de encerramento ocorreram logo após o último debate televisivo promovido pela TV Globo, marcado pela apresentação de propostas e por trocas de acusações pessoais entre os postulantes ao Palácio do Planalto.
Caminhadas de Lula no Rio de Janeiro e em São Paulo
Lula iniciou o último dia de campanha na orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O petista esteve acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva, da deputada Benedita da Silva, do ex-prefeito Eduardo Paes, do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, e do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. Antes da caminhada, o presidente demonstrou otimismo em relação à disputa e criticou duramente seu adversário.
“A grande lição que 2026 deixa é que, sem o povo, não se ganham as eleições. O povo quer mudança e não quer retroceder, mas a sociedade precisa se convencer de que não pode eleger um miliciano”, declarou.
O chefe do Executivo também agradeceu o engajamento dos eleitores e destacou o suporte digital recebido durante o pleito.
“Eu tenho que agradecer ao povo brasileiro, pois o que ele fez neste segundo turno não estava escrito em nenhuma página da nossa sociologia. O povo assumiu para si a responsabilidade de fazer a campanha”, afirmou.
Durante o evento carioca, o presidente prometeu investimentos na Baixada Fluminense e abordou a questão da soberania nacional ao comparar perfis políticos.
“O povo tem que escolher: ou alguém que beija a bandeira nacional ou alguém que beija a bandeira americana. É uma questão de soberania e nós não permitiremos que o Brasil seja quintal de ninguém”, declarou.
Posteriormente, a comitiva petista seguiu para São Paulo, onde o encerramento ocorreu na Avenida Paulista com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Ato e motociata de Flávio Bolsonaro em Minas e no Rio
Por sua vez, Flávio Bolsonaro concentrou sua agenda matinal em Belo Horizonte, participando de uma motociata entre a Praça do Papa e a Praça da Liberdade. O candidato percorreu o trajeto em cima de um carro de som ao lado de autoridades como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-governador Romeu Zema (Novo).
Em publicação digital, o senador ressaltou a importância estratégica dos maiores colégios eleitorais do país.
“Tem uma tradição de que quem ganha em Minas e São Paulo ganha o Brasil”, afirmou o candidato ao lado de Tarcísio e Cleitinho.
Após a passagem por Minas Gerais, o postulante do PL seguiu para a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde reuniu apoiadores na Praça do Ó e visitou o imóvel onde seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), convalesceu após o atentado sofrido em 2018.
Debate e cenário de empate técnico nas urnas
O clima de tensão entre os candidatos havia se intensificado na sexta-feira (23) durante o debate da TV Globo. Entre embates sobre programas sociais e economia, um dos momentos mais marcantes envolveu discussões sobre o histórico pessoal dos presidenciáveis e o programa Bolsa Família. Flávio afirmou que Lula concede benefícios “com uma mão e tira com os nove dedos” e pediu desculpas pela fala em seguida. O presidente reagiu publicando uma imagem de sua mão sobre a bandeira nacional com a frase: “Trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, uni-vos. Nós merecemos respeito”.
Nas pesquisas divulgadas neste sábado por institutos como Gerp, Datafolha, BTG/Nexus e Atlas/Bloomberg, os números apontam um cenário de empate técnico nos votos válidos, embora o candidato liberal apareça numericamente à frente em todos os levantamentos. No Datafolha, por exemplo, o placar indica 51% a 49% para Flávio. No primeiro turno, o senador obteve 47,04% dos votos válidos contra 45,16% do atual presidente.
Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a comparecer às urnas neste domingo. A votação ocorre em todo o país das 8h às 17h, no horário de Brasília, com apuração iniciada logo após o encerramento.






