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Médico preso por feminicídio é acusado de tramar ataque contra promotora em Mato Grosso

Médico preso por feminicídio é denunciado por planejar atentado contra promotora de Justiça em MT

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso apresentou uma denúncia formal contra o médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, de 29 anos, sob a acusação de arquitetar um atentado contra a promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo. A profissional foi designada para atuar no Tribunal do Júri que julgará o profissional de saúde pelo assassinato de sua ex-companheira, a adolescente Kethlyn Vitória da Silva, de 15 anos, baleada na cabeça em maio de 2025 no município de Guarantã do Norte, situado a 715 km de Cuiabá.

Plano descoberto dentro de unidade prisional

A acusação formal foi protocolada na última quinta-feira (15). De acordo com os registros ministeriais, a articulação criminosa aconteceu em 30 de junho de 2026, no interior do Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo, local onde o investigado permanece sob custódia preventiva desde o ano anterior. Na ocasião, ele dividia o pavilhão com um detento identificado como Odilzon Denis Junior, cujo nome social é Raika Leonor da Silva.

Investigações apontam que, durante o período reservado ao banho de sol, o médico abordou o colega de ala questionando se ele conhecia algum pistoleiro ou indivíduo disposto a executar o plano contra a promotora. A motivação estaria ligada ao temor de sua atuação no plenário, já que o suspeito acreditava que ela “iria acabar com a vida dele”.

Promessa de pagamento com herança

Consta ainda no documento acusatório que o médico teria assegurado o pagamento de uma quantia elevada em dinheiro pelo serviço macabro, afirmando que utilizaria recursos financeiros oriundos de uma futura herança. Para os promotores, as declarações evidenciam uma estratégia clara para coagir a acusação e embaraçar a persecução penal.

O caso chegou à Justiça e foi aceito pela 2ª Vara de Peixoto de Azevedo. Na decisão interlocutória, o juiz João Zibordi Lara entendeu que os indícios são suficientes para dar seguimento à ação penal. Embora o inquérito policial mencione que outros depoentes não confirmaram as ameaças, o magistrado ressaltou que o depoimento da testemunha ocular do plano precisa ser avaliado no decorrer da instrução processual.

O juiz pontuou que, nesta etapa inicial, não se exige comprovação definitiva da autoria delitiva, mas sim elementos idôneos que fundamentem o início do processo judicial. Com o recebimento da denúncia, o réu foi intimado para apresentar sua resposta por escrito no prazo de 10 dias, por meio de mandado entregue diretamente no estabelecimento penal.

Relembre o assassinato da adolescente

O crime que originou toda a custódia ocorreu em maio de 2025. Conforme registros da Polícia Militar, a vítima foi socorrida e levada pelo próprio companheiro até um posto de saúde da cidade com um ferimento provocada por disparo de arma de fogo na região craniana. Testemunhas relataram que o agressor aparentava desespero no momento do socorro.

Os profissionais de saúde tentaram reanimar a menor por aproximadamente 40 minutos, mas ela não resistiu aos ferimentos e veio a óbito na unidade hospitalar. Pessoas presentes no local afirmaram que, ao receber a notícia do falecimento, o suspeito teve uma crise de fúria e depredou instalações do hospital, danificando portas e janelas.

Em sua versão oficial apresentada à autoridade policial, o médico alegou que a jovem estava sentada em seu colo com a intenção de conduzir o veículo quando ele manuseava o armamento. O acusado sustentou que tentou disparar para a parte externa do automóvel sem sucesso e, ao averiguar o motivo da falha, o equipamento disparou acidentalmente contra a cabeça da namorada. Dias antes da tragédia fatal, um registro em vídeo divulgado nas redes sociais já mostrava o profissional manuseando armas de fogo na companhia da adolescente.

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