As cotações globais do petróleo registraram alta expressiva nesta sexta-feira, 23, alcançando o patamar mais elevado desde o mês de maio. O movimento é impulsionado pelo acirramento dos conflitos no Oriente Médio, motivado por recentes investidas atribuídas aos houthis em território saudita.
Impacto direto nas bolsas e contratos futuros
Por volta das 9h30 horas (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para dezembro do barril de petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) subia 1,62% e era negociado US$ 115. Trata-se do maior patamar desde maio deste ano. No mesmo horário, o contrato futuro para dezembro do petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 1,89%, para US$ 101,35.
Na véspera, o barril do petróleo Brent fechou em alta de 4%, cotado a US$ 113,17, que já era o maior valor desde maio. O WTI, por sua vez, terminou com ganhos de 2,39%, a US$ 99,47 o barril. A instabilidade geopolítica gera forte receio entre os operadores financeiros em relação a possíveis bloqueios na cadeia de suprimentos da principal área exportadora do planeta.
Ofensivas recentes e o peso da Arábia Saudita
Na quarta-feira 21, os houthis realizaram novos ataques contra diversos alvos na Arábia Saudita. Pelo menos uma pessoa morreu e outras oito ficaram feridas depois de ataques em um aeroporto de Dammam. Outras duas pessoas morreram em um ataque com drone em um campo petrolífero. A Arábia Saudita figura como a principal exportadora de petróleo do mundo e uma das maiores produtoras em escala global, ocupando frequentemente a segunda ou terceira posição no ranking trimesteral, atrás apenas dos Estados Unidos e, em alguns períodos, da Rússia.
O grupo responsável pelas ações é uma facção armada xiita que detém o domínio sobre grande parte do território iemenita, abrangendo também a capital Sana. Conhecida formalmente como Ansar Allah (Partidários de Deus), a organização adotou essa denominação em homenagem ao seu fundador, Hussein al-Houthi. Com o respaldo do governo do Irã, a milícia assumiu a responsabilidade por investidas direcionadas ao porto de Yanbu, situado no Mar Vermelho, além de instalações aeroportuárias e campos de extração em solo saudita.
Ameaças ao Estreito de Ormuz
O conflito regional, que envolve indiretamente forças dos Estados Unidos e do Irã, já se estende por quase nove meses. Essa longevidade alimenta o temor de que o escoamento de energia seja severamente prejudicado, sobretudo nas rotas que passam pelo Estreito de Ormuz.
O canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global. A volatilidade dos preços reflete diretamente a vulnerabilidade dessas rotas logísticas essenciais para o abastecimento energético internacional.






