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Hugo Motta articula megabloco na Câmara e pode isolar o PL na escolha de comissões

Com apoio do Centrão e da esquerda, Motta pode isolar PL na escolha por comissões em 2027

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), avança na construção de uma aliança robusta para garantir sua reeleição, reunindo 10 legendas do Centrão, três partidos de esquerda (PDT, PSB e PV) e a expectativa de adesão formal do PT.

Regras matemáticas da Câmara

Como funciona a prioridade na escolha das comissões

Pelas normas do legislativo federal, as legendas com maior número de cadeiras têm preferência para selecionar as presidências dos colegiados e os postos da Mesa Diretora, que engloba duas vice-presidências, quatro secretarias e quatro suplências.

O PL conquistou a maior bancada desde a Constituinte, contabilizando 121 deputados, o que inicialmente lhe daria direito às três primeiras escolhas de comissões. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, chegou a dizer, em entrevista à GloboNews, que a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – a mais importante da Câmara – era uma de suas ambições.

Impacto dos blocos partidários

O peso dos blocos sobre o tamanho individual

Contudo, o tamanho dos partidos isoladamente só é considerado quando não há formação de blocos. Caso a aliança liderada por Motta se consolide com pelo menos 17 legendas, o cálculo passa a valer para o grupo como um todo, segundo projeções de técnicos do Congresso.

Nesse cenário, as primeiras 15 escolhas ficariam com o PT e siglas do Centrão. O PL despencaria para a 16ª posição na fila, embora ainda devesse manter sete comissões. A simulação técnica abrange o apoio já confirmado de PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, PDT e das federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade, além das conversas avançadas com PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede.

Posicionamento das legendas

Negociações e impasses com a esquerda e o PL

O PT sinaliza positivamente, mas deve oficializar a decisão após as eleições presidenciais, com articulação liderada por nomes como Rubens Pereira Jr. (PT-MA), Alencar Santana (PT-SP) e Carlos Zarattini (PT-SP). Já a federação PSOL-Rede condiciona seu aval a debates sobre mudanças no sistema eleitoral, como a possível substituição do sistema proporcional pelo distrital misto, pauta articulada pelo Centrão que gera resistência no PSOL.

Interlocutores do PL avaliam que a manobra de Motta pressiona a sigla a integrar o grupo para não perder espaço, estratégia semelhante à utilizada por Arthur Lira em mandatos anteriores. Contudo, aliados indicam que o foco imediato da legenda está na disputa pela presidência do Senado contra Davi Alcolumbre (União-AP).

Reação e cálculo político

Repercussão entre parlamentares e especialistas

Lideranças do Centrão apontam que o PL errou ao antecipar suas pretensões de comando nas duas Casas legislativas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou publicamente que o parlamento está alinhado à direita.

“Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente do Senado”, disse Flávio após a eleição de primeiro turno.

Diante do cenário, Motta utiliza sua posição para negociar vagas no Tribunal de Contas da União (TCU), relatorias, cargos na Mesa e liberação de emendas. Um técnico da Casa resume o impacto da articulação:

“Estar de fora do ‘blocão’ vai trazer um prejuízo [para o PL] porque o bloco vai ter uma massa atrativa muito grande”, avalia, sob reserva. “Quanto mais deputados, maior é a atração, e maior é a quantidade de comissões que eles [que integram o bloco] vão escolher primeiro.”

O mesmo especialista aponta que o reflexo recairá sobre a Mesa Diretora:

“No caso da Mesa, é a mesma coisa. Pode ser que o bloco esteja tão grande que todas as vagas, pela proporcionalidade, fiquem com o ‘blocão’. E o PL, embora seja tão grande, ainda assim não conseguiria força para pegar uma das vagas”, avalia.

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