O líder evangélico investigado por estar presente na morte de um homem em um motel em Catanduva, no interior de São Paulo, possui antecedentes criminais por violência doméstica e atua na liderança religiosa há mais de uma década.
Atuação religiosa e social na cidade
Identificado como Alex Sandro Soares Zeca, de 47 anos, o pastor comanda a Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério Adonai, criada em 2015 na cidade. Ele é casado e tem uma filha.
Além das atividades eclesiásticas, Alex preside a Comunidade Terapêutica de Paraíso Adonai, voltada a trabalhos sociais, acolhimento de dependentes químicos e pessoas em vulnerabilidade. Nas redes sociais, a instituição compartilha cultos e ações beneficentes, como o projeto “Alimentando o Amor”, focado na produção e distribuição de refeições.
Histórico de violência e prisões
Apesar da rotina voltada a pregações sobre pecado, comportamento e disciplina cristã, o religioso acumula registros policiais por agressões, posse irregular de arma e abuso de substâncias.
Em novembro de 2025, ele foi preso em flagrante no bairro Jardim Bela Vista após a filha de 11 anos acionar o 190 relatando que o pai estava armado e agredindo a mãe. A polícia encontrou a vítima com ferimentos na boca e apreendeu um revólver calibre 22 sem registro no guarda-roupa. Na época, a esposa relatou uso contínuo de drogas pelo marido. Devido à forte alteração comportamental, ele foi internado em ala psiquiátrica antes de ir para a cadeia, e a mulher obteve medida protetiva.
Dois dias após o incidente no motel, em 19 de outubro, o pastor foi detido novamente pela Polícia Militar sob suspeita de nova agressão doméstica após exigir que a esposa deixasse o imóvel. Ele tentou fugir pulando muros, escondeu-se na casa de um vizinho, mas foi localizado, prestou depoimento e foi liberado.
Dinâmica da morte no motel
O caso que gerou ampla repercussão ocorreu em 12 de outubro, quando Alex estava em uma suíte com Ana Lígia Oliveira do Carmo e Fabrício Augusto das Neves, de 33 anos, que acabou falecendo no local.
Em depoimento exclusivo à Polícia Civil, Ana Lígia relatou que o trio consumiu bebidas alcoólicas, maconha e cocaína, sendo a última droga fornecida pelo pastor. A mulher afirmou ter mantido relações sexuais com Alex e convidado Fabrício para se juntar a eles, convite recusado pela vítima, que logo depois começou a passar mal, apresentando convulsões e expelindo espuma pela boca.
Diante da situação, o pastor tentou quitar a conta e sair, mas foi impedido por funcionários porque a suíte ainda estava ocupada. Em seguida, ele usou um automóvel para arrombar o portão do estabelecimento e fugiu.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas o óbito foi confirmado ainda no quarto. A Polícia Civil de Catanduva investiga o caso, registrado formalmente como morte suspeita, dano, fraude processual e porte de entorpecentes para consumo próprio.






