O presidente norte-americano Donald Trump enfrenta o momento de maior fragilidade política do seu atual mandato, registrando índices históricos de impopularidade a menos de duas semanas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. Uma série de levantamentos recentes indica que a rejeição à administração republicana ultrapassou a barreira dos 60%, acendendo o sinal vermelho na Casa Branca.
Cenário adverso ameaça controle republicano no Congresso
Marcada para o dia 3 de novembro, a eleição conhecida como midterms renovará a totalidade das 435 vagas da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das cadeiras do Senado. Embora Trump não esteja nas urnas, a consulta popular funciona como um referendo prático sobre sua gestão.
Atualmente, o Partido Republicano detém a liderança em ambas as Casas legislativas, mas projeções eleitorais já apontam chances reais de o Partido Democrata assumir o controle do parlamento. Diante da ameaça de perder a sustentação política, o mandatário tem cumprido uma intensa agenda diária de comícios pelo país.
Para tentar reverter a tendência desfavorável, o presidente chegou a prometer a concessão de um bônus financeiro de até US$ 5 mil para cada cidadão adulto caso sua legenda saia vitoriosa. Além disso, Trump incentivou reformulações nos mapas eleitorais em diversos estados e articulou medidas para frear a votação por correspondência, modalidade amplamente utilizada por simpatizantes democratas.
Inflação e conflitos internacionais desgastam a imagem econômica
O principal combustível para a insatisfação do eleitorado norte-americano reside no bolso. A perda de apoio coincide com a disparada no custo de vida, intensificada pela imposição de barreiras tarifárias comerciais e pela escalada de tensões geopolíticas externas. O envolvimento militar no conflito contra o Irã, por exemplo, elevou o preço dos combustíveis e acelerou o índice inflacionário.
De acordo com dados compilados pelo agregador estatístico mantido por Nate Silver, a avaliação negativa se aprofunda nos temas financeiros:
- Inflação: 72,8% de desaprovação contra 24,8% de aprovação;
- Economia geral: 65,7% desaprovam e 31,6% aprovam;
- Relações comerciais: 62,7% desaprovam diante de 32,8% favoráveis;
- Imigração: 56,2% de rejeição frente a 41,1% de aprovação.
Pesquisas apontam recorde negativo de popularidade
No levantamento elaborado pela parceria Reuters/Ipsos, o índice de aprovação de Trump caiu para 31%, a pior marca registrada ao longo dos dois mandatos do republicano, enquanto a rejeição cravou 66%. Em termos de saldo líquido de avaliação, o presidente amarga -54 pontos no combate ao custo de vida, -45 pontos na condução econômica, -34 pontos em política internacional e -20 pontos no setor migratório.
Outras sondagens de abrangência nacional reforçam a desvantagem expressiva do chefe do Executivo:
- CNN/SSRS: 67% desaprovam e 32% aprovam;
- Fox News/Beacon/Shaw: 64% desaprovam e 36% aprovam;
- Verasight: 62% desaprovam e 34% aprovam;
- The New York Times/Siena: 60% desaprovam e 34% aprovam;
- Echelon Insights: 60% desaprovam e 39% aprovam.
No agregado de tendências de Silver, Trump mantém média de 60,6% de rejeição e 36,3% de aprovação. O republicano governou com índices predominantemente desfavoráveis durante quase todo o mandato vigente, sustentando saldo positivo unicamente durante os primeiros 50 dias na Presidência.






