Uma mãe de aluna do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, localizado em Cambé, no Norte do Paraná, relatou que sua filha utilizou o banheiro onde uma câmera oculta foi descoberta para trocar de roupa antes de um desfile. O caso veio à tona na última segunda-feira (19), quando estudantes notaram um equipamento fixado na parede que emitia uma luz vermelha e perceberam que havia uma lente gravando por trás de um revestimento de plástico.
Investigação policial e vistoria oficial Em boletim de ocorrência, as alunas apontaram que o dispositivo estava no espaço há aproximadamente três anos. Inicialmente, a gestão escolar havia justificado que o objeto funcionava apenas como um sensor de fumaça para coibir o tabagismo no local.
Diante da denúncia, a Polícia Civil do Paraná e a Secretaria de Estado da Educação realizaram uma diligência de vistoria na instituição de ensino nesta quarta-feira (21). O aparelho foi recolhido pelas autoridades policiais após ter sido guardado por uma estudante. A Secretaria de Estado da Educação informou que não achou novos dispositivos nos sanitários durante a inspeção, mas abriu uma comissão para apurar o caso.
Preocupação com a privacidade e o destino dos arquivos Para Marli da Silva Vinha, mãe de uma das estudantes, a intimidade dos jovens foi gravemente violada, gerando enorme angústia sobre quem teve acesso aos registros visuais feitos no local.
“A minha filha mal está comendo, mal está dormindo. Para onde foram essas imagens? Quem está com essas imagens? Quem viu essas meninas trocando de roupa?”, questiona.
Reação dos estudantes e posicionamento institucional Outro aluno fotografou o painel de controle do sistema de segurança, revelando que os vídeos exibiam as cabines e os espelhos, inclusive do banheiro masculino. Segundo o colégio, o estudante acessou a sala de monitoramento sem autorização e as lentes miravam apenas as portas de entrada para garantir a segurança, sem focar no interior das cabines.
A aluna Alessa Gabriele relatou a falta de consentimento prévio das famílias para o monitoramento nos sanitários.
“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”, disse Alessa.
Medidas adotadas pela Secretaria de Educação A Secretaria de Estado da Educação do Paraná reforçou que normas estaduais proíbem estritamente a instalação de dispositivos de filmagem em banheiros e vestiários da rede pública. Uma equipe multiprofissional foi enviada ao colégio para prestar suporte psicológico e orientar a comunidade escolar enquanto o caso segue sob investigação rigorosa.






