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Jovem catarinense fatura com hidromel e entra na Forbes agro

Jovem começa a produzir bebida milenar à base de mel com apenas R$ 600 e entra para lista da Forbes das mais poderosas do agro

A engenheira agrônoma Giulia Fabrin Scussel, de 29 anos, garantiu seu espaço na prestigiada lista das 100 Mulheres Poderosas do Agronegócio da Forbes Brasil, ranking divulgado neste mês que celebra lideranças femininas de diferentes gerações e regiões do país.

A origem da Néctar Hidromel

A história de sucesso da jovem natural de Chapecó, cidade localizada no Oeste de Santa Catarina, gira em torno da fabricação do hidromel, uma bebida milenar frequentemente chamada de “néctar dos deuses” ou “vinho de mel”.

Considerado um dos fermentados mais antigos do planeta, o hidromel é composto basicamente por água, mel e fermento. Embora suas origens exatas permaneçam incertas, registros com mais de 10 mil anos apontam o consumo da iguaria entre civilizações asiáticas, povos nórdicos e comunidades originárias do Brasil.

De R$ 600 na garagem aos prêmios internacionais

Mestre em ciências pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Giulia deu o primeiro passo no empreendedorismo em 2020. Ao lado de colegas da academia, ela iniciou a produção de forma artesanal em uma garagem, contando com um capital inicial de apenas R$ 600.

O projeto, concebido após pesquisas e testes realizados na universidade, deu origem à Néctar Hidromel, pioneira como a primeira hidromelaria de Florianópolis e hoje colecionadora de premiações de destaque.

Em 2025, a marca faturou seis medalhas no Brasil Cup, considerado o principal concurso de bebidas da América Latina. O empreendimento também acumula premiações no Prêmio Inovação Catarinense, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

Receita e expansão no mercado

Com uma proposta voltada para insumos naturais do Brasil, a bebida é comercializada em estabelecimentos comerciais e bares catarinenses. A produção utiliza mel do estado combinado com especiarias e frutas, oferecendo versões que misturam tangerina com gengibre, butiá, limão ou chá-mate, com teor alcoólico que oscila entre 4% e 14% vol.

Liderança na apicultura catarinense

No mês de agosto de 2026, Giulia fez história ao assumir a presidência da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (FAASC), tornando-se a primeira mulher a comandar a entidade.

A ascensão ao cargo ocorreu em um período de grande relevância para o mercado catarinense: entre os meses de janeiro e julho de 2026, o estado alcançou a liderança nas exportações nacionais de mel, registrando cerca de 5,5 mil toneladas comercializadas ao exterior, volume que supera o total exportado ao longo de todo o ano de 2025.

Segundo a publicação da Forbes, a estratégia da engenheira agrônoma à frente da federação consiste em descentralizar o processo de tomada de decisões de Florianópolis. Para isso, ela tem visitado as regiões produtoras e dialogado diretamente com os líderes das associações locais.

A gestão tem como metas centrais consolidar a força da marca do mel catarinense, dar maior visibilidade à identidade dos produtores rurais e expandir a penetração dos produtos no mercado internacional.

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