A Polícia Civil concluiu o inquérito policial que investigava um homem suspeito de atuar ilegalmente como médico na cidade de Frederico Westphalen, localizada no Norte do Rio Grande do Sul. Ao término das apurações, o investigado, identificado como Ademar Correa, foi indiciado pelos crimes de exercício ilegal da medicina, lesão corporal e falsidade documental, após operar um estabelecimento de saúde no Centro do município.
Como funcionava o esquema investigado pelas autoridades
As diligências tiveram início em 6 de janeiro deste ano, impulsionadas por registros de ocorrência, alertas de profissionais da saúde e denúncias enviadas por órgãos de fiscalização. Durante o processo, os investigadores colheram depoimentos de pacientes, funcionários, médicos e fiscais, além de realizarem análises minuciosas em documentos e dados obtidos em aparelhos eletrônicos apreendidos durante o cumprimento de mandados de busca.
O delegado Jacson Boni afirmou que o investigado atendia pacientes em consultório e se apresentava como médico.
Conforme os elementos reunidos na investigação, o suspeito realizava consultas, diagnósticos, solicitação de exames, prescrições e encaminhamentos relacionados a atos privativos da profissão médica. Os agentes também descobriram indícios de uso fraudulento de dados profissionais pertencentes a médicos devidamente regularizados em seus respectivos conselhos de classe, além de apreenderem carimbos falsificados.
Riscos à saúde e casos de agravamento clínico
O delegado Jacson Boni afirmou que o investigado atendia pacientes em consultório e se apresentava como médico.
“Basicamente, ele consultava pessoas em seu consultório, e muitas acreditavam que se tratava efetivamente de um médico, ele prescrevia medicamentos, exames e assim por diante. Descobrimos, inclusive, que ele fraudava alguns exames, então, exames que nunca aconteceram.”
A apuração policial catalogou pelo menos 16 pessoas diretamente prejudicadas pela atuação irregular. Entre os episódios relatados, destaca-se o caso de um paciente que apresentou piora significativa em uma lesão na pele após seguir as orientações terapêuticas recomendadas pelo falso profissional. O inquérito ainda apontou a falsificação de atestados, receituários, pedidos de exames e até de um laudo laboratorial.
O delegado Jacson Boni afirmou que o investigado atendia pacientes em consultório e se apresentava como médico.
“Nós identificamos durante a investigação 16 pessoas que passaram por procedimentos com ele e que pessoas ligadas de alguma forma que tiveram um exame fraudado, uma receita com o nome do médico que não existe e assim por diante.”
O delegado Jacson Boni afirmou que o investigado atendia pacientes em consultório e se apresentava como médico.
“É um caso grave, porque os pacientes poderiam, por exemplo, ter uma mancha, uma pinta que poderia ser cancerígeno ou assim por diante e não receberem o diagnóstico correto. A paciente, inclusive, que tinha uma mancha e que usou uma pomada receitada por ele e a mancha se espalhou pelo corpo.”
Desdobramentos judiciais e posicionamento das defesas
Diante da gravidade dos fatos, a Justiça atendeu ao pedido da Polícia Civil e impôs uma medida cautelar que proíbe o investigado de continuar exercendo qualquer tipo de atividade vinculada ao setor da saúde.
Procurada, a defesa de Ademar Correa declarou que não vai se manifestar neste momento porque ainda não teve acesso ao inquérito. Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina do Estado classificou a conduta como gravíssima, destacando que realizou inspeções na clínica e que planeja ajuizar uma ação civil pública contra o responsável.
A Polícia Civil ressalta que o indiciamento é um ato durante a investigação criminal e não representa juízo definitivo de culpa. Cabe agora ao Ministério Público avaliar a denúncia formal e ao Poder Judiciário conduzir o julgamento do caso.






