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Deltan Dallagnol relembra Lava Jato e cobra documentos de Lula no TSE

Deltan: “Última vez que analisei documentos, Lula foi parar na cadeia”

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo-PR) afirmou nesta 5ª feira (22.out.2026) que a última vez em que analisou documentos relacionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o petista acabou preso. A declaração foi dada durante entrevista a jornalistas no Tribunal Superior Eleitoral, depois de a campanha de Lula aceitar as 19 exigências apresentadas pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.

Atuação na Operação Lava Jato

“A última vez que eu fiz isso, Lula foi parar na cadeia”, declarou Deltan, em referência à sua atuação na operação Lava Jato. O ex-procurador foi escolhido pela campanha de Flávio para analisar os documentos financeiros do presidente e de pessoas relacionadas ao petista.

Deltan integrou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, responsável por investigações que resultaram na condenação e na prisão de Lula em 2018. O presidente permaneceu preso por 580 dias, de abril de 2018 a novembro de 2019.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula relacionadas à Lava Jato em Curitiba, ao reconhecer que a 13ª Vara Federal da capital paranaense não tinha competência para julgar os processos. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá (SP).

Cobrança por dados financeiros

Durante a entrevista, Deltan afirmou que a campanha petista aceitou as condições apresentadas por Flávio, mas não entregou os documentos solicitados para análise. Segundo ele, a concordância formal com a abertura dos sigilos não equivale à disponibilização das informações financeiras e patrimoniais.

O ex-procurador defendeu que a análise dos dados de Lula abranja o período desde 2003, quando o petista assumiu seu 1º mandato na Presidência da República.

“O desafio foi lançado e o desafio foi aceito. Eu acho que o que o povo brasileiro quer saber é se os candidatos que se colocam nessa reta final da campanha, se eles em algum momento se enriqueceram com a máquina pública”, afirmou.

Deltan também questionou a possibilidade de limitar a divulgação dos documentos aos últimos 8 anos, período correspondente ao mandato de senador de Flávio Bolsonaro.

“Por isso que nós pedimos que o sigilo não seja de oito anos. Oito anos é o mandato de senador do candidato Flávio Bolsonaro. Nós precisamos dar um passo um pouco além, porque afinal de contas o Lula está no poder há quase 20 anos”, declarou.

A exigência de documentos desde 2003 já constava da petição apresentada pela campanha de Flávio na 4ª feira (21.out) e não representa uma nova condição anunciada nesta 5ª feira.

Disputa política e próximos passos

A discussão começou durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (18.out.2026), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico.

Na 3ª feira (20.out), a campanha petista apresentou ao TSE uma proposta para divulgar informações financeiras, fiscais e telefônicas do presidente, de seus familiares e de empresas relacionadas a ele, desde que o candidato do PL adotasse medida equivalente.

Flávio respondeu na 4ª feira (21.out) com uma petição que estabeleceu 19 exigências. Entre elas estão a divulgação de informações sobre familiares de Lula, empresas relacionadas ao presidente e registros envolvendo pessoas citadas em investigações.

Nesta 5ª feira (22.out), representantes do PT compareceram ao TSE para formalizar a aceitação das condições. Participaram da iniciativa o presidente nacional do partido, Edinho Silva, o senador Camilo Santana (PT-CE), o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), e a deputada federal Camila Jara (PT-MS).

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representa Flávio, afirmou que a campanha do PL pretende examinar os documentos antes de disponibilizar os dados do senador.

“Se eles trouxerem tudo, a gente traz”, declarou.

O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula não impôs restrições à divulgação de suas informações.

“O Lula não tem nenhuma restrição, não colocou nenhuma restrição”, disse.

Apesar do entendimento anunciado pelas campanhas, os sigilos ainda não foram efetivamente abertos. A divulgação dos documentos depende do cumprimento das condições apresentadas e das providências judiciais cabíveis.

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