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Burnout feminino e o impacto invisível da exaustão nas mulheres

As três dimensões do burnout feminino

A exaustão extrema e o esgotamento profissional feminino foram os principais tópicos abordados pela psicóloga e escritora Ana Luiza Novis durante o evento Neuro 2026. A especialista destacou que a discussão sobre o tema exige uma análise ampla, já que o problema não se restringe apenas ao ambiente de trabalho.

As três dimensões da exaustão feminina

De acordo com a palestrante, os impactos da síndrome repercutem em três esferas distintas: social, institucional e política. O esgotamento não surge apenas pelas demandas de emprego, mas tem raízes profundas na rotina diária e nas exigências impostas historicamente às mulheres.

A pressão social e a carga mental invisível

Na dimensão social, a psicóloga explicou o peso das cobranças cotidianas. “Na dimensão social, vemos mulheres adoecerem porque passam anos sustentando uma trama de expectativas que parece não ter fim: cuidar, trabalhar, organizar, acolher, resolver problemas, antecipar necessidades, frequentemente com pouco reconhecimento”, analisou. A profissional também pontuou que o cenário envolve culpa e desigualdade, citando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram que elas dedicam mais do que o dobro do tempo semanal aos afazeres domésticos em comparação aos homens.

Ambientes corporativos e o vício em desempenho

No âmbito institucional, a estrutura das empresas muitas vezes ignora as responsabilidades familiares e de cuidado. A cultura da disponibilidade constante e o assédio no ambiente corporativo também foram destacados pela especialista. Novis apontou que há uma dinâmica perigosa na sociedade atual: “São as pessoas viciadas em desempenho, que trabalham 14 horas por dia e passam o tempo todo dizendo que está tudo ótimo”.

Políticas públicas e prevenção

Para combater esse cenário, a dimensão política exige medidas estruturais. “Quando entendemos que o burnout feminino é produzido por fatores sociais e institucionais, percebemos que sua prevenção depende de escolhas como políticas públicas de cuidado; ampliação do número de creches; licença parental compartilhada; igualdade salarial; combate ao assédio; e ambientes psicologicamente seguros”, enfatizou a palestrante.

Fatores de risco para a saúde cerebral

Além da exaustão profissional, especialistas alertam para os riscos associados à saúde a longo prazo, lembrando que a maioria dos pacientes diagnosticados com a Doença de Alzheimer é composta por mulheres. A prevenção global da demência passa por 14 fatores de risco modificáveis, que incluem desde o nível de escolaridade e o controle do sedentarismo, hipertensão e diabetes até o combate ao isolamento social e à poluição atmosférica.

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