A Comissão Europeia declarou nesta quarta-feira (21) a intenção de propor a retomada das compras de mel e carne de aves procedentes do Brasil. A medida, no entanto, ainda aguarda a votação formal dos países-membros do bloco europeu durante a próxima reunião do comitê competente.
Auditoria positiva para aves e mel
A mudança de cenário ocorre após a divulgação dos resultados favoráveis de uma auditoria conduzida no território brasileiro para avaliar os processos produtivos desses dois segmentos. O embargo atual havia sido implementado em 3 de setembro, afetando 27 nações, após o Brasil ser retirado da relação de países considerados aptos nas normas sobre antimicrobianos na pecuária.
Durante os encontros recentes, representantes do bloco debateram questões técnicas ligadas à proposta, como os métodos de segregação de mercadorias para diferentes mercados e a fiscalização de prescrições veterinárias. As inspeções presenciais começaram em 24 de agosto, a pedido da própria União Europeia, com visitas de fiscais a instalações produtivas e órgãos de defesa agropecuária.
Situação da carne bovina
Enquanto o setor de avicultura e o de apicultura avançam rumo a uma solução, a comercialização de carne bovina brasileira segue proibida. De acordo com a Comissão Europeia, o país ainda carece de mecanismos para certificar com total segurança o cumprimento das regras ao longo de toda a vida dos animais.
O ciclo de desenvolvimento do gado, que dura cerca de 24 meses em média, exige comprovação rigorosa de que antibióticos não foram aplicados em nenhuma fase, fator que tende a prolongar as tratativas. Para contornar o impasse, a gestão federal adotou em junho um novo protocolo voltado ao rastreamento pecuário desde a etapa de nascimento até o abate.
Impacto global das restrições
A exclusão anterior do Brasil decorreu de entendimentos de que a fiscalização sobre substâncias era insuficiente, e não de falhas sanitárias pontuais encontradas nos lotes. A suspensão adotada pelo mercado europeu gerou reflexos em cadeia, uma vez que nações como a Noruega e mais de 20 outros governos — incluindo o Reino Unido e países africanos — utilizam os parâmetros do bloco como referência para suas próprias normativas de importação.






