Um veículo ocupado por três jovens que morreram em uma colisão no último domingo (18), no cruzamento da Avenida José de Souza Campos, conhecida como Norte-Sul, com a Rua Mogi Guaçu, em Campinas (SP), trafegava a aproximadamente 180 km/h antes de atingir um coletivo. A via possui limite regulamentado de 60 km/h.
Estimativa feita por meio de software
O cálculo foi divulgado nesta terça-feira (20) por Leandro Tessler, docente do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo utilizou um software especializado em mensurar velocidades com base em gravações de câmeras de segurança, embora não constitua um laudo pericial oficial. A Polícia Civil conduz as perícias oficiais e investiga a hipótese de o automóvel, um Fiat Fastback, estar disputando um racha.
Conforme o pesquisador, devido ao uso de registros visuais, o cálculo possui margem de erro estimada em 20 km/h para mais ou para menos. Outro veículo capturado pelas câmeras, um Ford Focus, circulava a cerca de 85 km/h e foi recolhido pelas autoridades para passar por exames técnicos devido à suspeita de envolvimento na disputa.
Impacto e destruição
O especialista esclareceu que a velocidade excessiva, somada à massa do automóvel e dos passageiros, gera um volume elevado de energia que precisa ser dissipada de forma instantânea, o que explica a gravidade da deformação estrutural do carro.
“A velocidade vai de 180 km/h a zero em menos de um segundo. Não tem como um ser humano sobreviver a isso. Como a massa do ônibus é muito maior que a do carro, ele é pouco afetado pela colisão, mesmo com essa velocidade”, explicou Leandro Tessler.
Vítimas e dinâmica da colisão
Os ocupantes do Fastback foram identificados como Lucas Jacuneli, Caio Tauã Amorim da Silva e Muryllo Henrique Costa de Oliveira, todos com 23 anos. O automóvel colidiu contra a lateral de um ônibus municipal da linha 260. Lucas e Caio faleceram imediatamente no local. Muryllo chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Mário Gatti, mas não resistiu e veio a óbito na segunda-feira (19).
Informações do sindicato que representa as empresas de transporte coletivo indicam que o ônibus estava a 40 km/h, respeitando o limite estabelecido para a via.
Investigação sobre o segundo veículo
O Ford Focus apreendido aparece em registros de câmeras de segurança em alta velocidade, mas o motorista engatou a marcha à ré e fugiu após a batida do Fastback contra o ônibus. Três rapazes ocupavam o Focus; dois já foram ouvidos e negaram a prática de racha, enquanto o terceiro ainda prestará depoimento.
Os dois ocupantes que já conversaram com os investigadores relataram que as vítimas fizeram sinais convidando para uma disputa momentos antes da tragédia, mas insistiram que não aceitaram o desafio. Segundo o delegado Gabriel Job Silveira, eles justificaram a fuga pelo medo.
“A princípio, eles negam qualquer prática de corrida e afirmam que não têm contato com isso. Realmente, eles disseram que ficaram com receio e que, ao ver que houve o acidente na frente deles, eles se evadiram”, afirmou o delegado.
O automóvel passará por análises mecânicas para verificar eventuais alterações no motor, e os aparelhos celulares dos investigados foram apreendidos. A polícia também avalia se os ocupantes do Focus responderão por omissão de socorro devido à fuga do local do sinistro.






