A 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública de Campo Grande instaurou uma Notícia de Fato para investigar possíveis falhas no atendimento médico prestado à bebê Anna Laura Insarralde de Araújo, de 8 meses. A criança faleceu após ser atendida em três unidades de rede pública e privada da capital de Mato Grosso do Sul.
Diligências e órgãos acionados
Nesta fase inicial, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul solicitou dados complementares ao representante da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul (AVEM/MS), entidade que encaminhou o caso ao órgão. Além disso, foram ordenadas diligências junto à Secretaria Municipal de Saúde, à Secretaria de Estado de Saúde, à Fundação de Serviços de Saúde do estado, ao Hospital do Câncer, ao Conselho Regional de Medicina e à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente.
O procedimento tramita sob sigilo e análise preliminar, sem conclusões definitivas sobre irregularidades ou responsabilizações até o momento.
Relato da família e peregrinação
Conforme o relato da mãe, Ana Maria Morel Insarralde, a trajetória da criança começou na UPA Universitário em 7 de outubro, onde recebeu medicação e uma receita após um raio-x apontar uma mancha no pulmão, culminando em alta médica. No dia 10, com febre alta, vômitos e diarreia persistentes, a família retornou à unidade. Após novos exames, a menina foi transferida para o Hospital de Câncer Alfredo Abrão.
A mãe afirmou que os exames laboratoriais da filha foram extraviados durante o trâmite, embora a família tenha conseguido acessá-los posteriormente. Na nova unidade, a bebê apresentou a boca amarelada e com pontos escuros após receber um medicamento. O médico de plantão suspendeu a substância e indicou a transferência imediata para um hospital com UTI, estrutura inexistente no local.
Transferência e problemas relatados no Hospital Regional
Por volta das 18h30, Anna Laura deu entrada no Hospital Regional, onde foi intubada na sala vermelha. Durante o deslocamento para o centro cirúrgico, a mãe relatou falhas no fornecimento de oxigênio, afirmando que o equipamento parou de funcionar e a equipe precisou recorrer à ventilação manual por falta de confiabilidade do aparelho, rotulado pelos próprios profissionais como “gambiarra”.
Apesar dos procedimentos cirúrgicos e da administração de sangue e adrenalina na UTI, a menina sofreu quedas nos batimentos cardíacos e na saturação, vindo a óbito. O atestado de óbito apontou insuficiência respiratória, choque séptico, pneumonia, septicemia, coagulação intravascular e hemorragia disseminada das vias respiratórias.
“Estamos em choque, ainda não acreditamos, e estamos revoltados também”, afirmou a mãe.
Posicionamento das instituições
Em nota oficial, o Hospital de Câncer Alfredo Abrão destacou que recebeu a paciente por meio do Sistema de Regulação em sua ala pediátrica não oncológica — criada em parceria com a prefeitura — e que prestou todo o suporte cabível antes de solicitar a transferência para uma UTI.
O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul manifestou solidariedade e informou que prestará esclarecimentos durante a investigação policial, resguardando o sigilo dos prontuários.
Por sua vez, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou notas reiterando que todas as ações seguiram rigorosamente os protocolos vigentes de regulação e que os relatórios técnicos e prontuários serão disponibilizados para a análise dos órgãos de controle competentes.






