A extrema polarização política brasileira deve resultar na expansão da direita no comando dos governos estaduais, saltando de 15 para 18 administrações a partir de 2027. A estimativa tem como base um estudo detalhado que confronta o perfil dos gestores escolhidos em 2022 com os desdobramentos do primeiro turno de 2026 e as sondagens de intenção de voto mais recentes para o segundo turno, marcado para o próximo domingo (25.out.2026).
Metodologia e abrangência da análise
O escopo do mapeamento abrange a totalidade das 26 unidades federativas e o Distrito Federal. Nos seis estados onde a disputa pelo Executivo segue em aberto, o estudo considerou os concorrentes que aparecem numericamente à frente nos levantamentos estatísticos mais recentes.
A categorização ideológica adotada baseia-se na postura política individual de cada governador ou aspirante ao cargo, e não de forma estrita à legenda partidária. Foram estabelecidos três grupos: * Direita * Esquerda * Posicionamento variável (para nomes que transitam entre diferentes correntes)
No recorte temporal de 2022, o cálculo considerou os vencedores daquele pleito e seus respectivos partidos na época da votação. Já para 2026, empregaram-se os pleitos já finalizados e a tendência dos líderes nas pesquisas para as prefeituras e governos estaduais ainda em disputa, lembrando que os dados são parciais e não representam um prognóstico definitivo do dia 25 de outubro.
Trocas de comando nos estados
O avanço da direita prevê a transição de três administrações atualmente alinhadas à esquerda para o campo conservador: Alagoas, Espírito Santo e Pará.
Em território alagoano, JHC (PSDB) deve suceder Paulo Dantas (MDB), rompendo um longo ciclo de poder associado ao grupo político de Renan Calheiros (MDB). O estado esteve sob o comando de Renan Filho (MDB) entre 2015 e 2022, antes de Dantas assumir. A eventual vitória do ex-prefeito de Maceió consolida uma liderança de oposição na região capixaba e nordestina.
No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) aparece na frente na preferência dos eleitores contra Ricardo Ferraço (MDB), que conta com o respaldo do atual governador Renato Casagrande (PSB). Caso Pazolini confirme o favoritismo, será encerrada uma era de forte hegemonia socialista no comando do Palácio Anchieta, visto que Casagrande venceu as eleições estaduais em 2010, 2018 e 2022.
Já no Pará, Dr. Daniel (Podemos) é cotado para substituir Helder Barbalho (MDB), vitorioso em 2018 e reconduzido ao cargo em 2022. A troca coroa o encerramento de um período histórico de forte influência da família Barbalho na política paraense.
Em sentido oposto, o Amazonas caminha para uma inversão dessa tendência. Omar Aziz (PSD), identificado com o campo progressista, lidera as intenções de voto na disputa contra Professora Maria do Carmo (PL), que representa a direita. Aziz governou o estado entre 2010 e 2014 e poderá suceder o grupo político liderado por Wilson Lima (União Brasil), vitorioso nos pleitos de 2018 e 2022.
Impactos no cenário federal
A consolidação de palcos estaduais mais conservadores sintoniza com o comportamento observado nas urnas durante o primeiro turno, marcado pela formação de um Congresso Nacional mais inclinado à direita e pela expansão desse grupo nas urnas proporcionais.
Caso as projeções se confirmem nas urnas, o panorama partidário dos governadores mostrará a direita saltando de 15 para 18 estados, enquanto a esquerda minguará de 11 para 6 gestões estaduais.
Essa nova configuração redesenha o tabuleiro para a sucessão presidencial. Para um eventual governo de Flávio Bolsonaro, o cenário nos estados se mostra altamente favorável para a construção de acordos e governabilidade. Por outro lado, caso Lula conquiste um novo mandato, a presidência precisará lidar com um país institucionalmente mais alinhado às pautas da direita.






