Uma brincadeira tradicional serviu de ponto de partida para a criação de uma nova série de desenho animado brasileira chamada Pipas. A produção acompanha quatro pipas em tramas que discutem valores como amizade e respeito, fruto do trabalho de três empreendedores paulistas apaixonados por audiovisual.
Da publicidade ao mercado de animação
O projeto é liderado por Ruy Okusako, Bruno Bask e Eduardo Nakamura. A trajetória do trio começou há aproximadamente vinte anos, quando os publicitários se uniram pelo interesse em común pelo setor de animação, período em que o país contava com poucos cursos especializados e exigia estudos autodidatas com materiais importados.
Os primeiros passos da empresa foram dados em uma sala cedida por terceiros, focando inicialmente na produção de conteúdos comerciais para o setor publicitário. Com o passar do tempo, o negócio expandiu suas operações e abriu espaço para a realização de um sonho antigo: criar conteúdos autorais e prestar serviços para outros criadores.
Gestão e desafios administrativos
A transição para o universo empresarial exigiu aprendizado prático e superação de obstáculos iniciais na gestão financeira e administrativa do negócio.
“A gente passou por uma dificuldade no começo e acabou aprendendo muito na prática. Contratamos pessoas com conhecimento administrativo e consultorias para nos auxiliar. Isso foi muito importante, porque não adiantava só fazer animação e não cuidar da base administrativa”, afirma Bruno Bask.
Atualmente, a empresa emprega vinte e cinco colaboradores em regime híbrido e remoto, com profissionais espalhados por estados brasileiros e países como Portugal e Austrália. O desenvolvimento técnico demanda investimentos constantes em máquinas potentes e programas específicos, tornando o controle financeiro tão vital quanto a criação artística.
Consolidação no setor infantil
Estreada em agosto no canal Gloobinho, a primeira temporada da série exigiu cinco anos de trabalho e conta com vinte e seis episódios de sete minutos cada. Atualmente, o entretenimento representa oitenta por cento do faturamento da companhia, enquanto a publicidade responde pelos vinte por cento restantes.
O compromisso com o público infantil exige acompanhamento especializado durante todas as etapas de criação dos roteiros e animações.
“Fazer desenho para criança exige uma responsabilidade de conteúdo. A gente sempre tem um cuidado com muita consultoria pedagógica e técnica para tomar cuidado com tudo o que está oferecendo para as crianças”, afirma Ruy Okusako.
Após duas décadas de parceria profissional e pessoal, os fundadores destacam que a união e o respeito mútuo foram determinantes para alcançar o sucesso no mercado audiovisual.
“O principal pilar que a gente conseguiu construir nesses anos todos também foi a confiança entre nós três, a amizade. Nós somos irmãos aqui”, diz Eduardo Nakamura.






