Setores de segurança dos Estados Unidos manifestam forte apreensão diante da possibilidade de o presidente Donald Trump interferir nas eleições legislativas de meio de mandato. Paralelamente, aliados do movimento MAGA intensificam discursos públicos defendendo a decretação de lei marcial no país.
Orientações discretas aos estados
Um grupo restrito formado por cerca de dez especialistas em segurança nacional e ex-integrantes do Executivo com passagens pelo Departamento de Guerra tem orientado de forma reservada parlamentares e governos estaduais. O objetivo é preparar as regiões para eventuais tentativas de coerção federal no pleito.
De acordo com o planejamento revelado por veículos locais, a articulação envolveu conversas com líderes de dez estados, abrangendo gestores e deputados de diferentes correntes partidárias. A intenção é blindar o processo de votação contra pressões políticas externas.
Um dos participantes relatou o clima de incerteza nas conversas ao declarar: “Todos disseram que estão preocupados, mas não sabem o que fazer. O resultado que esperamos é que os estados estejam preparados para qualquer eventualidade, caso ela ocorra”.
Discursos duros e o movimento MAGA
O alerta surge após uma série de declarações contundentes de Trump em comícios recentes, onde o mandatário alegou que o sistema de apuração é fraudado, ameaçou com a frase “os EUA vão queimar como a França” caso os democratas vençam, e prometeu repasses financeiros de US$ 5 mil aos cidadãos caso o Partido Republicano mantenha o domínio do Congresso.
Ao mesmo tempo, figuras proeminentes do grupo Make America Great Again vêm discutindo abertamente a imposição de medidas excepcionais sob o pretexto de combater fraudes eleitorais. Entre os nomes de destaque está a ativista Tina Peters, recentemente recebida na Casa Branca após ter sua pena anterior reduzida.
Ações e propostas dos aliados
Durante uma transmissão recente na plataforma Rumble direcionada a ativistas, o advogado Peter Ticktin defendeu o uso de força estatal extrema ao afirmar que “teria de haver lei marcial caso ocorra […] outra eleição fraudada”. Em contato posterior com a imprensa, ele complementou dizendo que “provavelmente será necessário assumir o controle das cédulas e dos equipamentos eleitorais para garantir que possamos esclarecer tudo antes que qualquer outra coisa aconteça”.
Entre as propostas ventiladas pelo grupo estão a substituição de urnas eletrônicas por cédulas manuais e o uso da Lei Nacional de Emergência para forçar mudanças estruturais na votação dos estados.
Em contrapartida, a administração federal rechaçou as acusações por meio da porta-voz Lauren Bis, culpando a oposição e destacando que o governo “está tomando medidas para proteger” o pleito por meio do “reforço da segurança da infraestrutura eleitoral e a proteção de eleitores vulneráveis contra fraudes e coerção”. As midterms estão agendadas para o dia 3 de novembro e definirão a composição da Câmara, parte do Senado e governadorias.






