Um motoboy de origem colombiana, que vive na capital fluminense há três anos, passou três dias em um cativeiro na Zona Norte do Rio de Janeiro após ser confundido com um criminoso de uma facção rival. A ocorrência, registrada na última sexta-feira (16), está sob apuração da Polícia Civil.
Abordagem no Quitungo
A vítima realizava a finalização de uma corrida de aplicativo na Rua Francisco Soren, localizada na região do Quitungo, no bairro de Brás de Pina, quando criminosos armados realizaram a abordagem. Equipes policiais apontam que o trabalhador foi tomado como alvo por engano, sob a suspeita infundada de pertencer a um grupo criminoso oposto ao que domina a área.
Após a interceptação, o condutor sofreu violência física e foi levado para o interior de uma comunidade da região, onde permaneceu privado de liberdade até o domingo (18).
Tortura psicológica e física
Durante o período em que esteve preso em um quarto escuro, o entregador relatou ter enfrentado condições desumanas de maus-tratos e terror psicológico constante.
“Naqueles três dias que eu fiquei lá, naquele cativeiro, eles não me alimentavam, não me davam água, não me davam comida, não me davam nada. Só me insultavam, só falavam que eu ia morrer, só falavam que eu tinha entrado na área que não era para ter entrado”, disse o motociclista.
O trabalhador detalhou ainda a forma como era mantido imobilizado enquanto aguardava uma definição sobre seu destino.
“Eles me bateram, me esculacharam. Era um quarto escuro, não tinha luz, não tinha nada. Eu estava amarrado em um pedaço de madeira no chão. Eu pedia para me liberar e eles falavam que não, que viria um chefe para falar comigo e decidir o que ia acontecer comigo”, contou.
Extorsão e fuga
Enquanto o entregador estava desaparecido, parentes realizaram campanhas de mobilização e chegaram a transferir R$ 900 para um indivíduo que ligou exigindo valores financeiros em troca da suposta libertação do refém.
O resgate só ocorreu na noite de domingo, quando o colombiano conseguiu escapar do cativeiro e buscar socorro junto a autoridades policiais. Por motivos de segurança, a identidade dele foi mantida em sigilo.
Além da violência extrema, os criminosos roubaram o veículo e o aparelho celular da vítima, itens fundamentais para sua subsistência diária na cidade.
“Minha moto e meu telefone eram meus instrumentos de trabalho. Eram as coisas que me permitiam levar sustento para minha casa. Agora estou sem nada. Não tenho telefone, não tenho moto. Eles tiraram tudo de mim”, afirmou.
A 38ª DP (Brás de Pina) conduz as investigações para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no crime.






