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Governo brasileiro rebate Javier Milei e vê ingerência externa

Governo Lula ataca Milei: ‘Golpistas derrotados’

O governo brasileiro reagiu fortemente nesta terça-feira, 20, contra o presidente da Argentina, Javier Milei, por meio de um comunicado oficial emitido pelo Itamaraty. A administração federal classificou os recentes ataques do líder sul-americano como uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa” nos assuntos internos do país.

Reações do Palácio do Planalto

O mal-estar diplomático começou após uma publicação feita por Javier Milei em uma rede social. Na postagem, o mandatário argentino utilizou os termos “esquerdista ladrão” para se referir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e expressou o desejo de que a “campanha suja” do petista não envolva “roubar a eleição”. O texto divulgado pelo argentino não citou diretamente o sistema de votação eletrônica.

Na mesma sequência de mensagens, o chefe de Estado argentino escreveu: “Progressistas machistas. Depois, saem por aí acusando todos os seus oponentes de serem misóginos”. Logo em seguida, acrescentou: “A máscara desses criminosos está caindo… Espero que a última artimanha da campanha suja deles não envolva roubar a eleição… esquerdista ladrão”.

Resposta do Itamaraty

Mesmo sem o uso explícito da palavra “urnas”, o Ministério das Relações Exteriores apontou que o governante vizinho replicou “mentiras” disseminadas por “golpistas derrotados”, fazendo menção direta aos episódios de depredação ocorridos em 8 de janeiro de 2023.

A nota diplomática pontua que as declarações configuram uma manobra para abalar as instituições democráticas nacionais. O texto do governo brasileiro define a conduta como “antidemocrática, desequilibrada” e totalmente inadequada para um chefe de Estado que comanda uma nação parceira.

O MRE finalizou o comunicado reafirmando a autonomia nacional e destacando que o destino político do país pertence estritamente aos cidadãos brasileiros, que devem comparecer às urnas no próximo domingo, 25, para exercer o voto de maneira livre.

Histórico de atritos diplomáticos

O episódio se insere em um contexto de tensionamento que teve episódios anteriores, como a participação de Javier Milei em julho na convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Na ocasião, o argentino proferiu ofensas contra autoridades brasileiras, chamando o presidente Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.

Como retaliação aos episódios, o governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e exigiu explicações do representante argentino em Brasília, Daniel Raimondi. Meses antes, o MRE reduziu o status das relações bilaterais, mantendo Bitelli no Brasil e permitindo o retorno de Raimondi ao território argentino, fazendo com que a representação diplomática vizinha passe a operar sob o comando de um encarregado de negócios.

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