A alta generalizada no custo de vida nos Estados Unidos tem obrigado trabalhadores a buscar fontes alternativas de renda e adotar medidas drásticas para conseguir pagar as contas básicas do mês.
Três empregos para fechar as contas
Kathryn Vaughn, professora de 46 anos no Tennessee, divide sua rotina entre três ocupações diferentes para sustentar sua família de quatro pessoas. Após o expediente na escola primária, ela atua em um programa para jovens e ainda escreve obituários sob demanda.
“Já fiz coisas incrivelmente insanas para sobreviver”, ela conta.
“Fui modelo de mãos para uma joalheria local, vendo tudo o que fica por mais de 10 minutos na minha casa em sites de troca no Facebook e revendo roupas no ThredUp e no Poshmark [plataformas online].”
O impacto da inflação é generalizado e atinge desde o combustível até os itens de supermercado, pressionando o orçamento das famílias americanas de forma inédita nos últimos anos.
Preços de combustíveis e impacto eleitoral
O cenário econômico desfavorável tem pesado nas decisões da população, especialmente com a proximidade das eleições de meio de mandato no país.
Punal Bhavsar, morador da Califórnia de 39 anos, teve que abandonar o plano de comprar a casa própria devido aos juros elevados e ao encarecimento dos produtos.
“Pensei que as taxas de juros fossem cair e que conseguiria, então, comprar uma casa, mas não acho que isso seja provável de acontecer agora”, conta.
O principal peso em seu orçamento é o valor cobrado nas bombas de combustível.
“Dirijo um carro que usa gasolina premium”, segundo ele, “e, infelizmente, na Califórnia e na região onde moro, ela custa quase US$ 6 [por galão]”.
Para ele, a questão econômica será determinante nas urnas.
“Para mim, os preços da gasolina simplesmente precisam ficar sob controle.”
Alimentação e corte de supérfluos
Nos supermercados, o panorama não é diferente. Caitlin Green relata que itens básicos sofreram aumentos expressivos, fazendo com que sua família dobrasse os gastos mensais com compras de mercado, que passaram de US$ 200 para US$ 400. O preço da carne moída quadruplicou em sua região, tornando o alimento quase inacessível.
A carne moída “é quase… não um luxo, como o bife… mas está a ponto de se tornar um luxo”, segundo ela. “Precisamos pensar se formos comprar.”
“Entendo que a inflação existe, mas acho que nunca na vida vi a inflação subir tão rápido e de forma tão drástica”, ela conta.
Enquanto isso, Kathryn Vaughn teve que cancelar uma viagem familiar para visitar os avós na Flórida e recalcular cada centavo gasto com material escolar e refeições.
“Está tudo difícil”, ela conta.
“O custo de tudo está absurdo. Gasolina para ir trabalhar, meu seguro aumentou, alimentar dois filhos e um marido. É demais.”






