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Ataques russos deixam mortos na Ucrânia enquanto Zelensky busca apoio externo

Ataques russos deixam mortos na Ucrânia enquanto Zelensky busca apoio externo

Uma nova onda de ataques aéreos com mísseis e drones lançada pelas forças russas contra áreas civis ucranianas resultou na morte de pelo menos sete pessoas. O bombardeio ocorreu simultaneamente aos esforços diplomáticos do presidente Volodymyr Zelensky na Noruega, onde buscou assegurar novos pacotes de ajuda militar e financeira dos aliados ocidentais.

Articulação em Oslo Enquanto a capital norueguesa sediava conversas estratégicas, o enviado especial dos EUA Steve Witkoff marcou presença no local. Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump, também integraria as negociações por meio de uma videoconferência com o líder ucraniano.

As tratativas também envolveram o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, e o presidente finlandês, Alexander Stubb.

“Estamos mantendo todos os contatos que podem ajudar a trazer a paz”, disse Zelensky em uma publicação no X após chegar a Oslo. O chefe de Estado acrescentou que a pauta central do encontro incluiu o reforço das defesas aéreas ucranianas e a produção conjunta de armas.

Por outro lado, o Kremlin manifestou otimismo em relação a tratativas diretas. O porta-voz russo Dmitry Peskov declarou a jornalistas que a Rússia aguarda a marcação de encontros com emissários americanos em território russo, apontando que reuniões do presidente russo, Vladimir Putin, com os enviados de Trump — possivelmente já na quarta-feira — seriam “muito importantes”. “Agradecemos muito os esforços de mediação dos negociadores americanos”, acrescentou.

Tensão diplomática e escassez de armamentos O cenário de cooperação enfrenta turbulências diante do esfriamento das relações entre Kiev e Washington. Zelensky relatou ter mantido contato telefônico com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tentar reverter gargalos logísticos e de inteligência.

O atrito escalou após o líder ucraniano declarar publicamente que acredita que “alguma decisão política foi tomada para desacelerar… o apoio a nós”. Além disso, a Ucrânia enfrenta uma escassez crítica de interceptadores de defesa aérea Patriot fabricados nos Estados Unidos, fundamentais contra mísseis balísticos de Moscou. Segundo Kiev, o Pentagono estaria retardando o repasse de artefatos adquiridos por terceiros países.

As restrições operacionais também afetam o uso militar da internet via satélite fornecida pela SpaceX, cuja limitação de velocidade vem prejudicando as operações no campo de batalha. A situação se agravou ainda mais com a decisão de Washington de suspender sanções econômicas contra Moscou.

Apesar dos atritos, Zelensky classificou o diálogo com Rubio como positivo. “Sou grato pela disposição dele em ajudar e por sua posição clara”, afirmou Zelensky nas redes sociais.

O papel estratégico da União Europeia Diante das incertezas geopolíticas vindas da América do Norte, nações europeias intensificaram o suporte financeiro e militar para evitar a derrocada ucraniana. Dados do Instituto Kiel apontam que o bloco europeu e suas instituições já destinaram 237 bilhões de euros (US$ 266 bilhões) a Kiev, superando os 115 bilhões de euros (US$ 129 bilhões) injetados pelos Estados Unidos.

A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, criticou a postura de Washington nos processos de mediação, apontando pressões para que Kiev abra mão de soberania territorial.

“Embora os negociadores americanos estejam tentando pressionar a Ucrânia a se render há… um ano e meio, por que a Ucrânia não se rendeu nos termos de Putin? Porque a Europa tem apoiado a Ucrânia”, disse Kallas. “A Ucrânia quer a paz mais do que qualquer outra pessoa porque está sob esses bombardeios há quatro anos”, afirmou ela a parlamentares da UE em Estrasburgo, na França. “A única que não quer a paz é a Rússia.”

Devastação e apagões pelo território ucraniano No plano interno, os danos materiais e humanos continuam acumulando-se. A polícia regional de Kiev confirmou que quatro civis perderam a vida e outros 27 ficaram feridos, incluindo menores de idade, em consequência de investidas aéreas nas últimas 24 horas.

No distrito de Obukhiv, três pessoas faleceram e armazéns foram destruídos. Já em Bucha, uma mulher morreu e 21 pessoas sofreram ferimentos — sendo oito crianças —, além de centenas de estruturas danificadas. Na rodovia que liga Kiev a Odesa, um novo ataque incendiou dois veículos, resultando em três mortes e quatro feridos, incluindo o condutor de um ônibus que transportava passageiros rumo ao Cemitério Nacional Memorial Militar.

Os impactos estruturais também atingiram o setor energético. A operadora estatal Ukrenergo relatou blecautes e falhas no abastecimento de eletricidade em 12 regiões da Ucrânia.

Em contrapartida, o Ministério da Defesa da Rússia informou ter efetuado ataques focalizados contra nós logísticos, áreas portuárias e embarcações no porto de Reni, na região de Odesa, além de interceptar 136 drones ucranianos em solo russo durante a madrugada. A ofensiva de drones também provocou um incêndio em uma planta industrial na província de Tambov, conforme relatou o governador Yevgeny Pervyshov.

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