O vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, iniciou nesta segunda-feira, 19, um giro diplomático por nações que fazem fronteira com o Brasil, coincidindo com a semana final da disputa presidencial brasileira. A missão oficial, que também conta com a presença de Juan Pablo Segura, secretário-adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, estende-se até o próximo dia 26 de outubro.
Roteiro estratégico na América do Sul
Divulgada pelo Departamento de Estado na última sexta-feira, 16, a agenda oficial abrange passagens por Assunção, no Paraguai, e Buenos Aires, na Argentina. O cronograma foi estruturado para começar exatamente seis dias antes do segundo turno da votação no Brasil e terminar no dia posterior ao pleito. Apesar da proximidade temporal com a votação brasileira, o comunicado oficial não incluiu nenhuma parada em território nacional e evitou relacionar a viagem ao cenário político do país.
Paraguai e Argentina receberão comitivas dos Estados Unidos com foco em pautas econômicas e acordos bilaterais específicos. No solo paraguaio, o número dois da diplomacia americana liderará um grupo de empresários em busca de novas oportunidades de investimento, além de debater comércio, cooperação em segurança e o combate ao crime transnacional com lideranças locais.
Parcerias e projetos na Argentina
Em Buenos Aires, os diálogos oficiais envolverão membros do governo e do setor privado. O foco principal das conversas será o Corredor Andes-Atlântico, projeto bilateral formalizado recentemente durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. A meta dos encontros é impulsionar o desenvolvimento econômico, atrair capitais norte-americanos e estreitar alianças na área de segurança regional.
Pressão e posicionamento do Congresso americano
A movimentação diplomática acontece em meio a cobranças públicas de parlamentares dos Estados Unidos sobre a postura adotada pela gestão de Donald Trump frente ao pleito no Brasil. No final de setembro, 31 deputados enviaram questionamentos formais sobre decisões diplomáticas e econômicas, exigindo um compromisso explícito de respeito à vontade popular expressa nas urnas brasileiras.
Em resposta enviada à deputada Delia Ramirez e assinada por Katherine Bowles, secretária-assistente para Assuntos Legislativos, o governo norte-americano pontuou: “Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo”.
O texto oficial ressaltou ainda a intenção de manter o diálogo contínuo com a sociedade, o empresariado e a futura gestão governamental do Brasil em torno de prioridades como comércio e segurança. Contudo, o documento não trouxe uma declaração direta garantindo o reconhecimento imediato dos resultados eleitorais, lacuna que, segundo analistas, não representa uma recusa prévia à legitimidade do processo.






