As autoridades policiais de Israel anunciaram nesta segunda-feira (19) a prisão de dez indivíduos suspeitos de participação em atos violentos cometidos no último fim de semana na Cisjordânia ocupada. Os episódios investigados englobam agressões diretas contra a fotojornalista Heidi Levine, profissional do jornal “The Washington Post”, e contra representantes diplomáticos de países europeus.
Cobrança internacional por punições O governo dos Estados Unidos, principal aliado estratégico de Israel, manifestou exigências públicas para que as autoridades locais contivessem a violência praticada por colonos e punissem os agressores da jornalista. Em sintonia, as administrações da França, da Bélgica e da Polônia também cobraram providências enérgicas das autoridades israelenses logo após o atentado direcionado aos seus diplomatas.
Investigação e perfil dos detidos Conforme os relatos policiais, a investida que resultou nas capturas aconteceu durante uma operação executada nas primeiras horas da manhã. Os suspeitos enfrentam acusações relacionadas a episódios de violência, violação de restrições de acesso a áreas militares designadas e práticas de construção irregular.
Apesar de a identidade dos capturados ter sido omitida pelas autoridades, os suspeitos foram encaminhados para sessões de interrogatório. Informações divulgadas pela Rádio do Exército de Israel apontam que todos os detidos possuem cidadania israelense, um desdobramento incomum visto que processos judiciais contra colonos na região costumam ser raros.
Repercussão diplomática e política O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, utilizou a rede social X para declarar que as prisões representavam um “desdobramento muito positivo” na busca e punição dos responsáveis por atacar e espancar a jornalista Heidi Levine.
A violência contra a profissional ocorreu na última sexta-feira (19), quando colonos mascarados e trajados de preto foram gravados em vídeo agredindo Levine, cidadã americana que registrava a colheita de azeitonas realizada por palestinos. A vítima precisou ser hospitalizada e passou por um procedimento cirúrgico em um dos dedos.
Já no sábado (17), um grupo de diplomatas representando a França, a Bélgica e a Polônia, acompanhados por um prefeito francês, sofreu hostilidades de colonos mascarados em outra localidade da Cisjordânia, resultando inclusive em danos materiais a um veículo oficial da diplomacia belga.
Enquanto o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, e as Forças Armadas classificaram os autores da violência contra os diplomatas como “manifestantes israelenses”, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu adotou uma postura mais reservada. O premiê, cuja coalizão nacionalista e religiosa se prepara para um pleito em 27 de outubro sob o risco de perder sua maioria parlamentar, argumentou que os diplomatas ingressaram em uma “área sensível com histórico de confrontos” sem o devido alinhamento prévio com o comando militar. Sobre a violência contra a fotojornalista, Netanyahu declarou que o episódio ainda possuía circunstâncias “pouco claras”.






