Queimadas de grandes proporções atingem a zona rural de Itacoatiara, na Região Metropolitana de Manaus, há mais de duas semanas. O acesso aos focos de calor exige horas de viagem por estradas de terra e trechos fluviais, dificultando a atuação das autoridades locais.
Avanço das chamas na Vila de Lindóia
Na região da Vila de Lindóia, o fogo consome a vegetação há cerca de quinze dias. Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam que a área de influência das chamas já supera 800 hectares. Moradores locais e voluntários uniram forças para montar uma frente de resistência, contando com doações de mantimentos e combustíveis.
O vereador Moisés Formigueiro, que atua diretamente como voluntário na operação, detalhou a mobilização inicial: “Nós começamos aí com 13 pessoas na equipe, sendo muitas delas voluntárias. Temos também apoio de muitos comunitários, que estão doando gasolina, doando alimentação”
Riscos à biodiversidade entre rios
Existe um temor generalizado de que o fogo atinja uma faixa de mata densa situada entre os rios Urubu e Uatumã. Segundo o vereador Ney Nobre, a destruição pode alcançar milhares de hectares caso o avanço não seja freado com urgência:
“A gente tem uma preocupação muito grande, porque essa área é uma área de mata que liga a região do rio Urubu com a região do rio Uatumã, então é uma área muito grande. Se a gente não tiver o controle dessa queimada, a gente vai perder milhares de hectares de mata dessa região do rio Urubu”
Para conter o desastre, dezenas de bombeiros atuam no local abrindo aceiros e combatendo os focos diretamente. O tenente Bruno Costa, comandante do Grupamento de Combate a Incêndio e Proteção (GCIP) de Itacoatiara, comentou sobre a continuidade do esforço conjunto: “A gente sabe que a população tem sofrido bastante com os incêndios florestais. A operação vai seguindo no restante dos dias”
Danos a moradores e apoio externo
Nos ramais da rodovia AM-010, especificamente no ramal Santa Luzia do Copaíba, na comunidade Nova Jerusalém, as chamas chegaram perigosamente perto de moradias. O agricultor Francisco Pires relatou os prejuízos e os momentos de pânico vividos devido à densa fumaça:
“A fumaça já faltou quase matar a gente. Todo dia a fumaça cobre tudo aqui. Daqui mil metros pra dentro, já tá tudo queimado. […] Acabou com minha plantação, minha mandioca, minha macaxeira, minhas bananas que tinha aqui. Queimou tudo”
A força-tarefa agora conta com o reforço de profissionais paulistas, incluindo 25 bombeiros e cinco agentes da Defesa Civil de São Paulo. O grupo trouxe 11 mil litros de líquido retardante para otimizar os trabalhos de contenção. O primeiro-tenente da Polícia Militar Ramatuel Silvino, da Defesa Civil de São Paulo, destacou o envio do material: “Nós viemos em 30 homens […] para apoiar nessas ações aqui de combate a incêndio. Também trouxemos 11 mil litros de líquido retardante para otimizar o combate ao incêndio florestal”
Enquanto isso, a qualidade do ar em Itacoatiara permanece em níveis alarmantes, e a baixa visibilidade chegou a paralisar temporariamente os voos de aeronaves do Ibama e da Defesa Civil do Amazonas no fim de semana.






