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Festival da Panela de Barro celebra cultura indígena em Roraima

Festival da Panela de Barro tem oficinas, rituais tradicionais e paneleira mais bela: 'resistimos'

A Comunidade Indígena Raposa I, situada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no município de Normandia, recebe entre os dias 6 e 8 de novembro a 12ª edição do Festival da Panela de Barro. Com entrada gratuita, a iniciativa busca resgatar saberes ancestrais, incentivar a educação comunitária e impulsionar o turismo sustentável no Norte de Roraima.

De acordo com o coordenador do evento, Enoque Raposo, a celebração carrega uma forte mensagem de preservação da identidade originária: “A ideia do Festival é de mostrar para o mundo que a gente ainda resiste”.

Imersão cultural e hospitalidade na aldeia

Para acolher o público não indígena, os moradores estruturaram uma dinâmica própria e integrada à rotina da aldeia, priorizando o contato direto com a natureza e com o cotidiano local.

Enoque Raposo explica os detalhes dessa recepção: “De uma forma bem rústica, mesmo; como a gente não tem pousada, não tem hotel… debaixo da árvore com a sua barraquinha, com a sua rede ali, né? É dessa forma, mas a gente cuida dessas pessoas. Já a comida do turista é feita na casa de algumas pessoas que se colocaram à disposição para fazer a comida, foi decidido em reunião”.

Oficinas práticas e resgate do artesanato Macuxi

Elemento central das festividades, a confecção das peças de cerâmica reflete um saber transmitido historicamente pelas mulheres Macuxi. O objetivo pedagógico do encontro é evitar o desaparecimento dessas práticas manuais, repassando as técnicas tradicionais aos jovens da região.

As atividades de modelagem de barro acontecem na sexta-feira (6), sob a instrução de Margarete e Edilene, e no sábado (7), ministradas por Jarisson e Suzete, sempre das 14h às 18h. Os visitantes também poderão se inscrever em cursos de arco e flecha, culinária típica de damurida e trançado com palha de buriti, com taxas de participação que variam entre R$ 15 e R$ 20.

Medicina tradicional e celebrações espirituais

A programação destaca cerimônias profundas da espiritualidade indígena, como o Yenu’ Ye’Kaito’, conhecido popularmente como o ritual da Pimenta nos Olhos. Na prática, uma pimenta malagueta verde é benzida, triturada e inserida na linha d’água ocular por conhecedores do costume, provocando ardor e lágrimas com a finalidade de purificar a visão, aliviar dores de cabeça e revigorar o corpo.

O coordenador pontua a relevância da manutenção desse conhecimento ancestral: “O ritual serve para conscientizar as pessoas da própria comunidade, porque muitos indígenas hoje já não querem mais usar esse tipo de medicina. Ela funcionava como medicina e também como colírio; antigamente os nossos antepassados não tinham cataratas, doenças que afetam a visão, e não usavam óculos”.

Outro marco festivo é o Parixara, dança coletiva que comemora períodos de colheita e nascimentos, acompanhada de bebidas artesanais e refeições conjuntas voltadas à limpeza energética do território. O cronograma do evento conta ainda com corrida de tora, concurso da paneleira mais bela e apresentações musicais regionais.

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