Um deslizamento de terra em uma mina de ouro ilegal localizada no sudoeste da Colômbia resultou em 14 mortes e deixou sete feridos nesta segunda-feira (19). O acidente ocorreu em uma zona de difícil acesso que sofre com o domínio de organizações criminosas, conforme detalhado pelas autoridades da região de Nariño, área fronteiriça com o Equador onde a extração clandestina serve como importante fonte de recursos para facções armadas.
Condições precárias no garimpo
Os trabalhadores que atuam nesses locais informais enfrentam cotidianamente cenários de extrema vulnerabilidade e falta de segurança. As buscas por sobreviventes foram encerradas, de acordo com as informações divulgadas por Álex González, secretário de Paz e Segurança de Nariño.
“Já são 14 pessoas mortas (…) é uma realidade que a mineração [ilegal] está gerando violência”, disse Álex González, secretário de Paz e Segurança de Nariño, à emissora Caracol.
Dificuldades no resgate e violência local
Imagens veiculadas em plataformas digitais registraram o momento em que populares e uma retroescavadeira realizavam o transporte de corpos da área atingida para uma canoa em um rio nas proximidades, rodeados por lama e escombros. O governo regional apontou que as equipes de socorro encararam severos obstáculos para alcançar o ponto da tragédia devido ao relevo acidentado e à forte presença de criminosos, que também obtêm verbas por meio do tráfico de drogas e da extorsão.
“As comunidades não têm mais alternativas econômicas além dessas atividades extremamente arriscadas. A mineração artesanal praticamente desapareceu”, disse uma fonte do governo à AFP.
Populares relatam a ocorrência de execuções seletivas praticadas pelos grupos armados contra indivíduos acusados de auxiliar as forças estatais, apoiar facções rivais ou furtar metal precioso.
Impacto econômico e ambiental
A prática da extração irregular de ouro figura como um dos principais motores do desmatamento no território colombiano, além de provocar danos ambientais severos, a exemplo da poluição de cursos d’água por mercúrio. Órgãos governamentais apontam que o faturamento com o ouro chega a superar o do narcotráfico na zona afetada pela violência.
“Um quilo de pasta-base [de cocaína] pode custar cerca de quatro milhões [de pesos colombianos] (cerca de R$ 6,4 mil), enquanto um quilo de ouro, que cabe no bolso, pode valer mais de 400 milhões [de pesos colombianos] (R$ 640 mil)”, afirmou González.
Historicamente marcada por tragédias no setor, a província já havia registrado outro desastre em agosto, quando um acidente similar em uma mina na mesma região de Nariño vitimou 13 pessoas.






