Home / Brasil / Conheça Zoe, a cadela dos bombeiros no Acre que treina para salvar vidas

Conheça Zoe, a cadela dos bombeiros no Acre que treina para salvar vidas

'Para ela, tudo é brincadeira': Conheça a cadela que treina para salvar vidas com bombeiros no Acre

Cinco cães do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC) cumprem uma rotina rigorosa de treinamentos de segunda a sexta-feira para atuar em missões críticas, como a localização de pessoas perdidas e o resgate de vítimas em estruturas colapsadas. Entre os destaques da corporação está Zoe, uma pastora-belga-malinois de seis anos.

Rotina de preparação e condicionamento físico Para encarar terrenos desafiadores, como áreas de mata fechada e locais de difícil acesso, os animais precisam manter o preparo físico em dia. A rotina inclui natação, corridas e sessões em esteiras.

O trabalho exige que o condutor entenda detalhadamente o comportamento do animal para identificar mudanças de curso, momentos de pausa e o rastreamento de pistas. Essa forte parceria entre o cão e o profissional é chamada de binômio.

”Como eu treino a Zoe desde os três meses de idade, a gente já aprendeu a reconhecer os sinais um do outro ao longo dos anos. Então eu conheço todos os trejeitos da Zoe e ela os meus. Eu sei o momento exato de dar uma pausa, eu sei quando voltar, porque eu conheço o meu cachorro”, destacou o 2º sargento Juliano Elias Pereira.

Especialidades em salvamentos e buscas As equipes dividem as atuações em diferentes frentes de acordo com a ocorrência. Na modalidade de odor específico, o cão recebe um pertence da pessoa desaparecida para iniciar o rastreio. Esse recurso é essencial no estado para localizar pessoas que se perdem na floresta durante atividades de caça, coleta de castanha, além de idosos e cidadãos com transtornos mentais.

Outra vertente é a busca por restos mortais para encontrar cadáveres. Há ainda animais capacitados para localizar sobreviventes em desabamentos ou na mata sem a necessidade de um cheiro de referência.

”Além dessas especialidades, também temos cães preparados para encontrar pessoas vivas sem depender de um objeto com o cheiro de alguém específico. Esse recurso pode ser utilizado em buscas em áreas de mata quando não há vestígios da pessoa desaparecida ou em desabamentos, quando as equipes precisam localizar possíveis sobreviventes sob os escombros”, ressaltou Juliano.

O militar pontua que o faro apurado reduz o tempo de operação: “Então, a gente vai eliminando áreas. O cão ajuda porque ele antecipa o processo e a gente chega no resultado mais rápido”.

Missões marcantes no estado Uma das primeiras atuações reais da cadela ocorreu em Manoel Urbano, no interior acreano, onde um jovem estava sumido havia dias. Ao lado de outro cão chamado Hunter, a dupla ajudou a achá-lo com vida em um igarapé.

”Essa ocorrência ficou marcada por ter sido uma das primeiras experiências da Zoe em uma operação real. Que terminou com êxito e com a localização do jovem que estava desaparecido. Foi gratificante”, relembrou.

Em outra ocasião próxima ao Natal, um homem desorientado que vagava pela mata foi localizado pela equipe.

“Quando a família viu ele, quando a gente saiu de dentro da área de mata, foi uma emoção muito grande. A filha, chorando, e a gente também se emociona porque estava trazendo uma pessoa querida de volta com vida”, contou o sargento.

Recompensa em formato de brincadeira Embora o trabalho seja sério e vital, os treinamentos são moldados para que o animal enxergue o processo como uma atividade lúdica. Ao achar o alvo, o bicho recebe petiscos e festas.

“Para o cachorro, tudo é uma brincadeira. Para ele, não é um trabalho sério. Então mesmo que o animal esteja em uma ocorrência real, ele não entende. Quando estão perto de encontrar alguém a gente também sabe, por causa dos sinais como movimento do rabo e a maneira como o animal se aproxima”, explicou o condutor.

Futuro e aposentadoria Os cães residem com os respectivos condutores, garantindo forte cumplicidade fora do expediente. Os animais costumam atuar até os oito anos de idade. Para evitar lacunas nas equipes, a corporação já iniciou a preparação de novos filhotes.

”Mesmo com a aposentadoria, a Zoe não vai ficar separada de mim. Vou manter ela na minha casa quando ela deixar de atuar nas operações, ela vai ficar comigo”, concluiu o militar.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *