Com uma trajetória de mais de 11 anos comandando a Diretoria-Geral do Senado Federal, Ilana Trombka lança a publicação “Mulher: a liderança em 10 lições”. A obra analisa os principais entraves que impedem o público feminino de alcançar e se manter em postos de comando, destacando aspectos como o preconceito cultural, a sobrecarga com afazeres domésticos e a falta de valorização profissional.
Carreira pública e reflexão sobre gênero
Servidora concursada desde fevereiro de 2015, ela detém o recorde de permanência feminina em funções diretivas no setor público do país. Em sua nova publicação, a autora une vivências práticas a teorias sociológicas sobre disparidade de gênero, oferecendo direcionamentos tanto para quem almeja crescer na carreira quanto para gestores interessados em mudar o ambiente corporativo.
“Muitas vezes, a mulher acha que o problema é ela, que aquilo acontece só com ela. Na verdade, são situações tão estruturais que a própria ciência já se dedicou a relatá-las“, disse ao Poder360.
Estrutura da obra e conceitos fundamentais
O livro está dividido em três seções distintas. A primeira introduz termos essenciais como misoginia, sexismo, patriarcado, machismo e feminismo, além de debater conceitos consolidados como o teto de vidro — barreiras invisíveis que limitam o acesso feminino aos cargos de topo — e a síndrome da impostora, que afeta a percepção das próprias vitórias.
A segunda parte concentra os ensinamentos centrais por meio de dez lições práticas. Os tópicos discutem a maternidade, a divisão de tarefas no lar, o gerenciamento do tempo, o networking, a exposição profissional, o diálogo e o combate à violência. A autora reforça que os reveses na trajetória profissional não derivam apenas de falhas ou decisões pessoais, mas de estruturas sociais e da desigualdade na distribuição de tarefas de cuidado.
Os três Cs da gestão humanizada
No encerramento das dez lições, a autora resume sua visão de chefia em três pilares: confiança, competência e cuidado. Este último elemento é ressignificado, deixando de ser apenas um fator limitante da disponibilidade no trabalho para se transformar em uma habilidade essencial na condução de equipes e na criação de locais de trabalho mais acolhedores.
A experiência na administração pública também embasa o debate sobre diversidade. O texto menciona ações como a cota de empregos terceirizados estabelecida em 2016 para atender mulheres vítimas de violência doméstica, e a fundação da Rede Equidade em 2022, voltada à união de órgãos públicos em prol da inclusão.
Atitudes para transformar o ambiente corporativo
A última parte da publicação amplia o debate com o título “Agora só falta você”, sugerindo doze condutas diárias para fortalecer a representatividade feminina. Entre as recomendações estão a troca mútua de saberes, o apoio mútuo em vez da rivalidade e o estímulo à participação das mulheres na política.






