O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste domingo (18.out.2026) que mudou de opinião a respeito do fim da escala de trabalho 6 X 1 após dialogar com trabalhadores durante a corrida presidencial. A declaração ocorreu durante o confronto televisivo da Band com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na capital paulista.
Segundo o candidato do PL, a decisão de apoiar a medida surgiu de conversas diretas com a população eleitora: “Eu rodei esse Brasil inteiro, eu ouvi você, trabalhador, eu ouvi de você que queria ter esse direito a mais um dia de folga, por isso eu votei a favor”. O parlamentar também argumentou que está aberto a reavaliar posturas quando percebe vantagens para os cidadãos: “Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que, se for convencida, posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros”.
Questões levantadas pelo atual presidente A justificativa veio logo após o petista questionar o adversário no primeiro bloco sobre a possibilidade de reverter a mudança caso vença a disputa pelo Executivo federal. “O mundo pode acreditar na sua palavra que você não vai fazer nenhuma proposta para acabar com o fim da escala 6 X 1?”, indagou o atual mandatário.
Em resposta, o senador negou qualquer intenção de suprimir o direito adquirido e acusou o oponente de propagar desinformação. “Ele só faz fake news o tempo inteiro. Você trabalhando está garantido comigo, só que eu vou fazer muito melhor para você”, retrucou.
Segurança e poder de compra como prioridades Retomando o tema espontaneamente no segundo bloco, ao comentar sobre saídas temporárias de detentos, o parlamentar reforçou que a decisão legislativa decorreu de demandas populares. “Eu compreendo. Eu sou uma pessoa que sei ouvir”, declarou.
O candidato ainda vinculou a alteração na jornada laboral a avanços na segurança pública e na renda das famílias. “Eu não quero que o seu dia de folga seja um dia de pesadelo”, afirmou, citando receios com assaltos nas ruas e nos transportes públicos. Além disso, prometeu condições para que os cidadãos aproveitem o descanso, comprem alimentos e quitem débitos: “Muito além da folga, eu quero te dar segurança, eu quero te dar acolhimento, eu quero te ajudar a sair desse sufoco”.
Detalhes da tramitação no Congresso Nacional A Proposta de Emenda à Constituição que encerra a escala 6 X 1 e institui o modelo 5 X 2 foi aprovada pelo Senado em 14 de outubro, recebendo 75 votos favoráveis e apenas 1 contrário em dois turnos. A promulgação ocorreu em sessão solene na sexta-feira (16.out), com a presença de Lula, mas sem a participação de Flávio Bolsonaro. O texto, relatado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), preservou a versão originada na Câmara dos Deputados em maio.
A implementação ocorrerá de forma escalonada: – Redução da jornada máxima semanal de 44 para 42 horas após 60 dias da publicação da emenda, com dois dias de descanso remunerado. – Limite de 40 horas semanais efetivo 14 meses após a publicação. – Proibição de cortes nos salários e preservação dos pisos normativos. – Permissão para negociação coletiva de horários e regimes de descanso. – Possibilidade de medidas transitórias para micro e pequenas empresas mediante lei complementar.
Panorama da disputa eleitoral A polêmica ocorre em meio a um cenário acirrado para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Levantamentos recentes apontam candidatos em disputa apertada nas pesquisas de intenção de voto válidas divulgadas por diferentes institutos nas últimas semanas.






