O empresário Daniel Vorcaro, que atuava como dirigente do Banco Master, tornou-se alvo de investigações e acusações acerca de seus laços com a editoria de grandes portais e jornais do país, como o veículo Folha de S.Paulo e o portal Metrópoles.
Repasse financeiro e gestão de crise
Registros de conversas digitais revelam que o executivo transferiu a quantia de R$ 1 milhão ao especialista em administração de crises Guilherme Barros. O pagamento ocorreu após tratativas para postergar e suavizar a veiculação de uma matéria jornalística desfavorável ao banqueiro. Em contrapartida, a direção do jornal nega veementemente qualquer interferência no teor dos textos ou atraso intencional na divulgação para favorecer o investigado.
Promessas e prazos na redação
De acordo com o material obtido, o acordo financeiro teria sido firmado em agosto de 2024, condicionado à interrupção ou ao adiamento da pauta. Logo no dia seguinte, o mediador comunicou que o diretor de redação da Folha, Sérgio Dávila, teria aceitado estender o prazo.
A instituição jornalística argumenta que a matéria passava por apuração e que a dilação temporal atendeu exclusivamente ao princípio de contemplar o contraditório. O dirigente Sérgio Dávila declarou que tomou conhecimento do repasse ao consultor apenas ao examinar os registros das conversas.
Conexões com o portal Metrópoles e contratos publicitários
O escândalo ganhou novos contornos após revelações de que a cúpula do portal Metrópoles compartilhava conteúdos jornalísticos com o ex-banqueiro antes de irem ao ar, acatando sugestões de modificação. O levantamento indica que pelo menos 14 matérias foram enviadas previamente, resultando em alterações em 11 delas.
Paralelamente, os chats indicam que a instituição financeira firmou um compromisso publicitário avaliado em R$ 20 milhões com o Metrópoles. Por sua vez, a Folha registrou o recebimento de R$ 516,4 mil em verbas de propaganda associadas ao empresário ao longo de um quinquênio.
Posteriormente, o jornal paulista publicou acusações contra o portal concorrente, alegando que uma nova pauta estaria sendo preparada em represália às revelações expostas. O atrito público aprofundou a crise e evidenciou o embate entre os veículos de comunicação envolvidos nas negociações com o ex-banqueiro.






