A cafeicultura nacional atingiu um patamar inédito no mercado global de cafés especiais. Em uma negociação histórica realizada no Japão, uma única saca de 60 quilos colhida no interior mineiro foi arrematada por US$ 26.456 — quantia que equivale a R$ 134.581,67. O valor supera os R$ 2.000 por quilo do produto e estabelece a maior cifra já obtida por grãos brasileiros em certames da Alliance for Coffee Excellence (ACE).
Recorde expressivo no mercado asiático
A venda ocorreu durante a SCAJ 2026 — World Specialty Coffee Conference and Exhibition, feira sediada em Tóquio e organizada pela Associação de Cafés Especiais do Japão. O lote recordista foi comprado pela companhia japonesa Snow Beans Coffee durante o pregão de sexta-feira (16).
Com a marca de US$ 200 por libra-peso, o resultado representa uma valorização de 40% em relação ao recorde anterior brasileiro, que havia sido registrado em 2018. Naquela ocasião, uma saca atingiu US$ 18,9 mil (cerca de R$ 96,2 mil à época), comercializada a US$ 143 por libra-peso.
Origem na Mantiqueira e perfil sensorial
O grão premiado teve origem na Fazenda Santuário Sul, localizada no município de Carmo de Minas. A propriedade se beneficia diretamente das características da Serra da Mantiqueira, onde as montanhas e o clima ameno formam o ambiente propício para a produção de cafés diferenciados.
Conforme explica o produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, a conquista reflete meses de manejo rigoroso. A saca comercializada é da variedade geisha natural, reconhecida pela doçura, complexidade e notas florais que remetem a mamão papaia e flor de jasmim, gerando uma bebida extremamente delicada.
A fazenda em questão já acumula reconhecimentos no Cup of Excellence, disputa considerada a premiação máxima do segmento. A entidade responsável, a ACE, reúne produtores de alto escalão de apenas seis países: Brasil, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.
Tradição e visão internacional
Embora Luiz Paulo represente a quarta geração familiar dedicada ao cultivo da cultura cafeeira, o projeto voltado exclusivamente aos grãos de padrão especial teve início a partir dos anos 2000. Segundo o cafeicultor, o propósito sempre foi consolidar a imagem da produção nacional no exterior.
“Eles [a família] sempre acreditaram que, realmente, o café era um produto sem fronteira”, afirma.
Para Pereira Filho, o êxito financeiro no leilão vai além das cifras individuais e consolida a capacidade do agronegócio nacional em competir pelo topo do mercado mundial.
“Dividir essa vitória com o Brasil. Mostrar que a gente pode valorizar o nosso produto e, principalmente, que o mercado reconhece que o Brasil tem potencial de produzir os melhores cafés do mundo”, completa.






