O governo russo celebrou, neste sábado (17), a decisão do presidente Donald Trump de vetar um pacote legislativo aprovado recentemente pelo Congresso que previa duras sanções contra o setor energético de Moscou.
Ordem executiva e justificativa oficial
Pouco antes da entrada em vigor do texto, o líder americano assinou uma ordem executiva cancelando as restrições econômicas e as tarifas planejadas. A iniciativa havia sido batizada com o nome de seu idealizador, o falecido senador republicano Lindsey Graham, conhecido por seu forte apoio à causa ucraniana.
Na determinação oficial, o mandatário justificou a medida afirmando: “Conforme descrito na seção 4 desta ordem, deixo sem efeito a aplicação de tais sanções, restrições e tarifas previstas na Lei Graham”, invocando os interesses estratégicos de Washington.
A lei barrada permitia ao governo dos Estados Unidos aplicar sobretaxas de até 100% em nações compradoras de petróleo e gás russos, como Índia e China, além de mirar autoridades do alto escalão de Moscou e a frota de navios utilizada para burlar o embargo ocidental.
Reação dura de Kiev
Para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a decisão representa um duro revés diplomático e um incentivo direto ao Kremlin. Em declaração pública, o líder ucraniano expressou forte indignação:
“Nos Estados Unidos, tomou-se a lamentável decisão de descartar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria exercer uma pressão eficaz sobre a Rússia para acabar com esta guerra. Essa lei poderia ter ajudado enormemente, e ainda pode!”, escreveu Zelensky nas redes sociais.
Ele acrescentou ainda: “O fato de os Estados Unidos abrirem mão das sanções, de a pressão sobre o agressor ser reduzida e de Putin ser recompensado financeiramente só serve para incentivá-lo a continuar atacando”.
Acordo energético e contexto eleitoral
A reviravolta na política externa americana acontece após um entendimento selado neste mês entre Trump e Vladimir Putin para que a Rússia forneça diesel aos mercados global e norte-americano, em troca do afrouxamento das restrições. O cenário político é sensível devido às eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, em um momento de inflação nos combustíveis impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.
Kirill Dmitriev, enviado especial de Putin que conduziu negociações com representantes da Casa Branca, comemorou o desfecho: “A suspensão da Lei Graham pela administração Trump é um momento importante e verdadeiramente histórico”, declarou, argumentando que o texto original traria graves prejuízos econômicos aos Estados Unidos.
Aproximação com a Europa
Diante do desgaste com Washington, Kiev tem buscado intensificar o diálogo com parceiros europeus. Zelensky esteve em Bruxelas na última sexta-feira (16) para buscar novos recursos financeiros para o esforço de defesa previsto para 2027.
Sobre o pleito ucraniano por mais aportes financeiros, o presidente francês Emmanuel Macron declarou: “A Ucrânia fez o seu pedido. É muito cedo para estabelecer um valor”, assegurando, contudo, que os aliados europeus manterão o suporte ao país.






