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Seca extrema isola comunidades e afeta milhares de moradores em Santarém

Seca afeta quase 25 mil pessoas em Santarém (PA)

A estiagem severa que atinge a região oeste do Pará provocou um cenário crítico no município de Santarém, onde braços de rios desapareceram e deixaram cerca de 25 mil moradores isolados em comunidades ribeirinhas. A situação alarmante levou a prefeitura local a decretar estado de emergência, enquanto os prognósticos meteorológicos indicam que o nível dos mananciais deve baixar ainda mais nas próximas semanas.

Impacto no abastecimento e rotina dos moradores

O reflexo mais imediato da estiagem é a escassez de água potável e a alteração drástica na rotina das famílias. O suprimento que antes chegava por vias fluviais agora exige deslocamentos exaustivos a pé por trilhas de terra e leitos secos.

“Se a gente não fizer, a gente não tem água pra beber. Tem que ir, todo dia de manhã, buscar água”, comentou Maria da Costa, lavradora.

Dificuldades de acesso e educação

Além do consumo humano, a redução drástica no volume dos cursos d’água interrompeu as rotas tradicionais de barco, prejudicando a locomoção e o acesso a serviços essenciais, como as escolas da região.

“As dificuldades que o pessoal que mora mais distante tem pra chegar à escola. Agora nessa época não tem como, tudo tem que ser a pé”, afirmou Rosilene Pinto, autônoma.

Queda drástica no Rio Tapajós

Dados oficiais apontam que o nível do Rio Tapajós está atualmente abaixo da cota de alerta, registrando quase a metade do volume medido no mesmo período do ano passado. A ausência de precipitações agrava o quadro e impede a recuperação dos mananciais.

Prejuízos na agricultura e avanço do fogo

A falta de chuvas também favorece a propagação de incêndios florestais, que destroem a vegetação nativa e ameaçam plantações de subsistência e pastagens na zona rural do município.

“Traz impacto para nossa região. Tanto faz na produtividade, nas plantações de melancias, milhos. Tanto na produção de gados, que queima a pastagem”, destacou Rionaldo Pereira, liderança comunitária.

Operação de emergência e combate a incêndios

Diante do agravamento dos problemas ambientais e sociais, as autoridades estaduais reforçam os apelos para que a população evite práticas de manejo com fogo, que facilmente saem de controle durante o período de estiagem prolongada.

“Esse período, ele já é um período crítico. Por conta, principalmente, das nossas dificuldades com relação à geografia do estado, que é um estado imenso. A gente procura já chamar a comunidade, para que a sociedade, ela venha nos ajudar principalmente naqueles, naquelas práticas que se tem de colocar fogo no mato, de colocar fogo ali no fundo do quintal, embaixo da árvore. Isso daí, hoje, facilmente se perde o controle”, disse Cel Celso Piquet – comandante regional.

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