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Professores denunciam assédio moral e perseguição em escola rural do DF

Professores de escola rural no DF denunciam perseguição e assédio moral de diretora; veja relatos

Educadores da Escola Classe Café sem Troco, situada na zona rural do Distrito Federal, acusam a gestão da unidade de cometer assédio moral e perseguição. O caso, que teve início há mais de dois anos, ganhou força em outubro com a intensificação das retaliações. O ambiente de trabalho piorou expressivamente no mês passado devido ao retorno da diretora, que estava afastada preventivamente por 60 dias para responder a um processo administrativo na corregedoria, o qual acabou reabrindo sem um desfecho oficial.

Carta enviada à governadora e impactos na saúde

Diante da ausência de providências, o corpo docente elaborou e enviou uma carta direcionada à governadora Celina Leão (PP). No documento, os profissionais classificam a conduta da gestora como “autoritárias e persecutórias, além de possíveis situações de assédio moral, dificuldades de diálogo e problemas na condução da gestão”.

A situação gerou pânico e abalos psicológicos profundos. O texto da carta pontua: “A diretora retornou à escola sem que tivéssemos conhecimento do resultado do processo administrativo, causando grande apreensão entre nós. Alguns de nós, ao tomarmos conhecimento de seu retorno, não nos sentimos em condições psicológicas de comparecer à escola naquele dia”.

O desgaste emocional culminou no afastamento médico de oito dos 13 funcionários que assinaram as denúncias. Uma das servidoras afetadas detalha o impacto físico do estresse: “Só de pensar na possibilidade dela retornar para a escola, eu comecei a dar crise de ansiedade. Eu passei mal dentro da sala de aula, eu achei que eu estava infartando, com meu coração acelerando e ânsia de vômito. Na madrugada desse dia, eu acabei indo parar no hospital, achei até que eu estava com um início de infarto. Fiz todos os exames e não era nada disso, era uma crise de ansiedade generalizada aguda. Hoje estou à base de medicamentos, tomo remédio de manhã e remédio à noite para dormir”.

Acusações de intimidação e alteração pedagógica

Entre as denúncias formalizadas — incluindo boletins de ocorrência registrados em 2025 —, constam reuniões privadas com o intuito de coagir funcionários “sem testemunhas”. Os relatos também apontam a proibição do uso de uma sala por um educador, que foi realocado para um corredor onde o espaço acabou coberto de entulhos de forma repentina.

A gestão também é acusada de modificar métodos de alfabetização sem aval da Secretaria de Educação e de impor o uso de cartilhas próprias criadas em 2024. Áudios da diretora confirmam a imposição de seu próprio método. Além disso, professores relatam intervenções diretas em sala de aula através de um projeto de “apadrinhamento”. Um docente relata: “Eu, percebi que ela entrava lá na minha turma e, em vez de fazer uma dinâmica, ela dava uma aula para os meus alunos. Ela dava aula do jeito dela e olhava para mim como se tivesse me dizendo assim: ‘Tá vendo? É assim que eu quero que você dê a sua aula’, entendeu?”.

Isolamento de servidores e manipulação de índices

Profissionais da instituição afirmam que a diretora coagia educadores do quinto ano a aprovarem alunos indiscriminadamente para inflar artificialmente o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Trabalhadores também relatam punições severas por dissentirem da gestão.

Uma servidora expõe o castigo imposto por divergir da direção: “Como forma de punição e isolamento, fui colocada em uma sala insalubre, marcada pelo forte cheiro de mofo, arquivos cobertos de poeira, mau cheiro, ausência total de ventilação por ser um ambiente extremamente quente e abafado, e completamente sem sinal de internet”.

Posição das autoridades

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação declarou que o processo administrativo tramita em sigilo, mas omitiu justificativas para a demora na conclusão. Sobre a troca de livros por materiais próprios, a pasta classificou a acusação como “improcedente”, afirmando em nota oficial:

“O material utilizado na Escola Classe Café sem Troco é do Alfaletrando e integra o material institucional autorizado pela Secretaria. A direção da unidade escolar não adotou nem impôs, por iniciativa própria, qualquer material didático sem a devida anuência ou autorização da SEEDF. O material utilizado está autorizado pela Secretaria e sua adoção observa as orientações institucionais, não havendo, portanto, portanto, irregularidade quanto ao uso de material não autorizado, conforme relatado na denúncia”.

A comunidade escolar também buscou o auxílio do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) para orientação jurídica. Contudo, a entidade esclareceu que não pode atuar de forma contundente no litígio, visto que a investigada também possui o direito à assistência do mesmo sindicato por ser servidora da rede.

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