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Posto investigado recebeu R$ 37 milhões da Prefeitura de Belford Roxo

Posto citado em investigação que levou à prisão de Canella recebeu mais de R$ 37 milhões da Prefeitura de Belford Roxo

O posto de gasolina São Sebastião de Belford Roxo, mencionado em apuração da Polícia Federal que resultou na prisão do ex-prefeito e deputado estadual Márcio Canella, acumulou o recebimento de mais de R$ 37 milhões repassados pela prefeitura municipal ao longo dos anos, com registros financeiros iniciados em 2012.

Esquema de lavagem de dinheiro Apesar de aparecer nas investigações, o estabelecimento comercial não entrou na lista de alvos da Operação Unha e Carne, deflagrada recentemente. Contudo, autoridades policiais apontam que o alto volume de transações em espécie é compatível com estratégias de ocultação patrimonial.

Conforme o relatório da Polícia Federal, o local chamou a atenção das autoridades após registrar mais de R$ 10 milhões em depósitos em dinheiro vivo que geraram alertas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A operação principal investiga um esquema de lavagem de capitais que pode atingir a marca de R$ 7,6 bilhões.

Conexões políticas e empresariais As investigações apontam que o parlamentar integrava o comando político e empresarial de uma rede com quase 100 postos de combustíveis, usada para misturar recursos legais com verbas ilícitas, incluindo dinheiro público.

Contratos firmados com a administração municipal Registros oficiais indicam que foram firmados sete acordos comerciais com o estabelecimento, totalizando cerca de R$ 20 milhões em valores pactuados — quantia inferior aos R$ 37 milhões efetivamente quitados pela administração municipal, conforme dados do portal da transparência. Um desses ajustes foi formalizado em 10 de novembro de 2015, período em que o político ainda administrava a cidade da Baixada Fluminense, antes de deixar o cargo para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Outro marco contratual ocorreu em 6 de outubro, dias após o político garantir a segunda maior votação para o legislativo estadual fluminense, já sob a gestão da prefeita sucessora. A atual chefe do executivo municipal adotou o sobrenome político do aliado, mas não figurou entre os alvos da ação policial, embora os registros apontem transferências financeiras direcionadas a ela.

Investigação sobre o fluxo de recursos O posto pertence a Bruno Viana de Souza. De acordo com as autoridades policiais, o proprietário e Márcio Canella mantêm sociedade em outra empresa, chamada Brumar Empreendimentos.

A linha investigativa busca esclarecer se verbas públicas liberadas pela gestão municipal acabavam repassadas ao posto de combustível administrado pelo sócio, retornando ao grupo político por meio de outras empresas associadas.

Posicionamento oficial Procurada sobre o caso, a administração municipal informou que todos os acordos comerciais passarão por auditoria interna. A gestão municipal justificou que o posto presta serviços desde 2012 e que nenhuma outra empresa demonstrou interesse em participar dos processos licitatórios posteriores. Sobre os repasses à atual prefeita, o município negou transferência única de valor elevado, esclarecendo que se tratavam de ressarcimentos fracionados para despesas operacionais, como alimentação e transporte.

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