A polícia francesa entrou em confronto com manifestantes em diversas cidades do país, utilizando gás lacrimogêneo para conter uma intensa onda de atos contra a alta no custo de vida e a precariedade dos serviços públicos.
Escalada dos atos populares As manifestações reuniram milhares de pessoas e já são consideradas algumas das mais violentas registradas na França nos últimos anos. De acordo com o governo, foram contabilizadas 140 manifestações com a participação de 32,8 mil pessoas apenas fora de Paris. A origem do movimento remonta ao mês passado, quando estudantes secundaristas protestavam por infraestrutura e mais professores em escolas da periferia parisiense.
Expansão das reivindicações Com o passar das semanas, a pauta expandiu-se para abranger críticas profundas à desigualdade social, aos gastos públicos e à acentuada queda no poder de compra dos cidadãos. O Ministério do Interior registrou atos de vandalismo em Marselha, além de ataques direcionados a agentes policiais, profissionais da imprensa e edifícios estatais. Na capital, barreiras de segurança foram erguidas no centro, bloqueando acessos a locais estratégicos como a Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo.
Impacto político e econômico O cenário pressiona a gestão do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta um parlamento fragmentado e investidores preocupados com a dívida soberana francesa, cujos custos de financiamento atingiram os patamares mais elevados em mais de duas décadas. Manifestantes vestidos com coletes refletores bloquearam vias públicas, evocando o histórico movimento dos “coletes amarelos”.
“Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, porque o preço dos combustíveis está muito alto, porque estudantes do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país simplesmente por tentarem protestar e pedir mais professores e condições dignas de ensino”, afirmou Lola, uma manifestante de 19 anos, em Paris.
Investigações e balanço de feridos A atuação das forças de segurança virou alvo de escrutínio público devido ao elevado número de feridos entre os civis, incluindo um jovem que perdeu uma das mãos após manipular uma granada de efeito moral. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou que mais de 900 policiais também ficaram feridos durante os confrontos. O órgão de controle interno apura ao menos 24 acusações de excessos cometidos por agentes, enquanto o governo avalia o uso contínuo de armamentos de dispersão diante da convocação de novos atos pelas redes sociais.






