O produtor rural brasileiro comparece às urnas em 25 de outubro com o desafio de avaliar qual projeto presidencial assegura melhores condições para o planejamento das próximas safras. Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro avançam ao segundo turno apresentando planos de governo que dedicam atenção especial ao setor produtivo.
Pontos em comum nos planos dos candidatos
A análise detalhada das propostas revela pautas convergentes importantes. Ambos os programas abordam temas fundamentais como seguro rural, irrigação, fomento à produção nacional de fertilizantes, expansão de tecnologia e conectividade no campo, além de biocombustíveis, comércio exterior, regularização fundiária e rastreabilidade. Esse alinhamento demonstra o alto grau de maturidade que o debate sobre o setor atingiu no cenário político nacional.
As propostas do programa de Lula
O plano do presidente Lula concentra-se na ampliação e diversificação dos instrumentos de política agrícola. No eixo de financiamento, a proposta engloba o fortalecimento contínuo do crédito rural, a expansão dos recursos do Plano Safra com taxas compatíveis com a rentabilidade da atividade, e a busca por novas fontes de captação por meio do mercado de capitais e dos títulos do agronegócio.
Na vertente de mitigação de riscos, o projeto sugere o aprimoramento do seguro rural e a criação, em conjunto com o setor, de um mecanismo voltado para perdas sistêmicas causadas por quebras severas de safra. A agenda ambiental e tecnológica contempla a valorização da Embrapa, investimentos em bioinsumos, a recuperação de pastagens degradadas e a meta de alcançar o desmatamento ilegal zero até 2030, além de destinar um capítulo exclusivo para a agricultura familiar.
As propostas do plano de Flávio Bolsonaro
Por outro lado, o programa de Flávio Bolsonaro direciona seus esforços para a previsibilidade financeira e a segurança jurídica. Na área de crédito, o texto prevê a securitização e a reestruturação das dívidas dos produtores, associadas à garantia de um horizonte de planejamento superior a doze meses.
No setor de infraestrutura e logística, o candidato propõe investimentos bilionários em rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, contemplando obras como a Ferrogrão e a Transnordestina, além do incremento na capacidade nacional de armazenagem de grãos. O plano também aborda a revisão da reforma tributária para reduzir a carga sobre a produção, o fortalecimento da regularização de terras para pequenos proprietários e a consolidação do Cadastro Ambiental Rural.
O cenário atual exige atenção redobrada aos gargalos logísticos e ao endividamento que afeta diversas propriedades rurais. A avaliação cuidadosa dessas diretrizes permitirá ao eleitor do campo identificar qual visão melhor atende às demandas de longo prazo do setor produtivo.






