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República é eleita um dos bairros mais descolados do mundo

Da arquitetura à gastronomia: conheça a República, bairro de SP eleito um dos mais 'cool' do mundo

Um dos endereços mais tradicionais de São Paulo alcançou projeção internacional ao figurar na 25ª colocação entre os 40 bairros mais interessantes do planeta. O reconhecimento da República decorre de sua capacidade de concentrar manifestações culturais, culinária variada, cinemas, livrarias e uma vida noturna agitada em poucas quadras da região central.

Gastronomia plural e noites movimentadas

O circuito gastronômico do bairro atende a diferentes perfis e orçamentos. Na Galeria Metrópole, endereços como Tucupi, Sanduteca, La Baguette e Prosa e Vinho oferecem desde lanches rápidos a taças de vinho. O café com preços acessíveis do Sesc 24 de Maio e a culinária do Brim, famoso pela sobremesa de tiramisù, ampliam o leque culinário.

A identidade brasileira ganha força no entorno do Edifício Copan, onde operam o tradicional Bar da Dona Onça, a sorveteria Tem Umami e o restaurante Cuia, instalado junto à Livraria Megafauna. A oferta vai do prato-feito servido na Merenda da Cidade à alta gastronomia d’A Casa do Porco, premiada internacionalmente.

Ao cair da noite, o movimento se transfere para pistas e balcões icônicos. O subsolo do Theatro Municipal abriga o Bar dos Arcos, enquanto baladas e bares como Cordial e Tokyo concentram o público jovem. No subterrâneo do Viaduto do Chá, a histórica Galeria Formosa ganhou nova vida com a operação do espaço musical Formosa Hi-Fi.

Marcos arquitetônicos e novos mirantes

Caminhar pelas calçadas do bairro equivale a visitar um museu a céu aberto assinado por mestres como Oscar Niemeyer, Ramos de Azevedo e João Artacho Jurado. Construções emblemáticas como o Edifício Copan, o Theatro Municipal e o Edifício Louvre dividem a atenção com tesouros escondidos, a exemplo do Centro de Memória do Circo, situado na Galeria Olido, e da resistente videolocadora Video Connection, que segue ativa dentro do Copan ao lado do Cine Copan.

A vista do alto também se tornou um atrativo concorrido. Terraços instalados nas coberturas do Edifício Esther, do Edifício Itália e do Sesc 24 de Maio proporcionam ângulos privilegiados da capital paulista, combinando mirantes panorâmicos com serviços de coquetelaria e gastronomia. A laje do Copan também conta com visitação aberta ao público mediante ingresso de R$ 50.

Passado rural, expansão urbana e o desafio habitacional

Integrada à Subprefeitura da Sé, a área que hoje forma o chamado Centro Novo começou a se distanciar de suas origens campestres a partir de 1892, quando a construção do Viaduto do Chá impulsionou a transição da elite local rumo a padrões inspirados na belle époque europeia.

Antes de adotar o nome oficial após a proclamação de 1889, o antigo Largo dos Curros reunia touradas e festas com cavalos, enquanto o Largo do Arouche servia a treinamentos do Exército. Atualmente, a administração municipal tenta revitalizar o patrimônio por meio de incentivos ao retrofit — processo focado em reformar e modernizar imóveis antigos preservando sua estrutura —, embora os estímulos fiscais ainda não tenham se revertido de forma expressiva em habitação de interesse social para famílias de baixa renda.

Conexões e contrastes metropolitanos

Cruzada pelas linhas 3-Vermelha e 4-Amarela do Metrô e servida por dezenas de trajetos de ônibus que cortam vias como a Avenida São João, a República desfruta de uma posição privilegiada de transporte. Por outro lado, essa facilidade evidencia os contrastes de São Paulo: deslocar-se de áreas periféricas como Marsilac, na zona sul, até o centro pode demandar até quatro horas de viagem e múltiplos transbordos.

Mesmo diante desses desafios de mobilidade e preservação, o distrito segue operando como uma engrenagem vibrante no coração paulistano, onde a Galeria do Rock convive pacificamente com o forró da Galeria Olido, sintetizando a diversidade da metrópole.

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