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Carro do ovo leva alerta contra feminicídio para periferias do Recife

Carro do ovo é usado para conscientizar contra feminicídio nas ruas do Recife

O tradicional meio de venda de alimentos em bairros populares ganhou uma nova utilidade na capital pernambucana: combater a violência de gênero e proteger a vida das moradoras locais por meio de abordagens criativas e diretas.

A estratégia da distribuição gratuita

Antes de iniciar o percurso pelas ruas, o veículo separa pequenas embalagens contendo seis unidades do alimento, que são oferecidas gratuitamente para atrair a atenção da vizinhança. Em 2025, mais de 1,5 mil mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil.

O áudio reproduzido nas caixas de som chama a atenção dos moradores com a frase: “Ovos bem fresquinho, 30 ovos, olha que beleza!”. Na sequência, o anúncio muda para atrair o público: “6 ovos por zero reais. Eu falei zero reais”.

Deila Martins, coordenadora executiva Gajop, explica a dinâmica: “É uma forma lúdica de trazer um assunto sério, grave, que vem tirando a vida de muitas mulheres. Então estar na comunidade nesse diálogo trazer é informação para elas e trazer com que elas possam de fato se protegerem”.

Canais de ajuda e orientação jurídica

Junto com os alimentos, a ação entrega materiais impressos que trazem receitas culinárias no verso e, no outro lado, os contatos oficiais para relatar agressões, além da distribuição de panos de prato com instruções de autodefesa.

Juljana Acioli, advogada do Gajop, detalha o suporte prestado durante as visitas: “Na hora que a gente traz a informação, pode acontecer de uma mulher já ter alguma dúvida, já ter algum caso, já ter uma denúncia e aqui mesmo a gente já pode fazer diretamente algum encaminhamento”.

Rota planejada com líderes locais

A circulação do veículo na ilha de Santa Terezinha, na zona norte da capital pernambucana, é organizada em parceria com lideranças locais para assegurar o alcance às famílias mais vulneráveis.

Solange Silva, coordenadora do Grupo Ruas e Praças, pontua sobre o planejamento: “Esse percurso que foi pensado junto com a comunidade, ele atende essa necessidade de chegar de fato a informação as famílias mais necessitadas”.

Repercussão entre os moradores

A iniciativa gerou forte engajamento na vizinhança, fazendo com que os populares refletissem sobre a importância de romper o silêncio diante de agressões domésticas.

Sicleide Maria dos Santos, agente comunitário de saúde, destaca a importância da iniciativa: “E as vezes a gente tem medo de denunciar, isso é importante a gente não ficar só para a gente, a gente tem que denunciar mesmo”.

O autônomo Jairo Sebastião reforça a relevância do projeto: “É bom a gente parar para meditar um pouquinho e ler, entender mais as coisas”.

Por fim, a dona de casa Cléa dos Santos resume o sentimento coletivo gerado pela passagem do veículo: “Não pode continuar assim do jeito que está. Da forma que está, atrai as mulheres para conscientizar elas a denunciar”.

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