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Brasileiros no exterior criam redes de apoio para votar no 2º turno

Brasileiros no exterior se mobilizam para reverter abstenção no 2º turno

A alta taxa de abstenção registrada no primeiro turno das eleições mobilizou brasileiros residentes em diversos países a organizarem redes de solidariedade para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro. O objetivo é viabilizar o deslocamento de eleitores que enfrentam barreiras geográficas e financeiras para chegar às seções eleitorais no exterior.

As dificuldades logísticas no exterior O Tribunal Superior Eleitoral registrou um comparecimento de menos de 341,8 mil eleitores entre os 916,5 mil inscritos fora do país, o que resultou em uma abstenção de 62,7%, a maior desde 2010. Especialistas apontam que a infraestrutura consular não acompanhou o crescimento expressivo do eleitorado expatriado.

“A infraestrutura para essa votação não acompanhou o crescimento muito inesperado do número total de pessoas cadastradas para votar. Por isso, não houve tantos votos. No território nacional a estrutura de urnas eletrônicas é muito mais capilarizada”, avalia o professor de Geografia Política da Universidade de Brasília (UnB), Daniel Abreu.

Custos elevados e longas distâncias A distância até os locais de votação e os altos gastos com transporte e hospedagem foram fatores determinantes para que muitos cidadãos deixassem de votar. O programador Felipe Costa, que mora na Inglaterra, precisou escolher qual membro do casal votaria devido à mudança inesperada de seu local de votação para outra cidade e aos custos elevados de viagem.

“Eu não consegui votar, o custo sempre foi um problema”, diz Costa. A família não tinha condições de arcar com as despesas de duas viagens. O pernoite pode custar cerca de 120 libras (quase R$ 800). “Foi uma sensação de impotência e injustiça.”

Iniciativas civis conectam eleitores Para superar esses obstáculos, plataformas digitais e grupos de mensagens surgiram para conectar quem precisa de transporte a quem oferece vagas em veículos ou hospedagem gratuita, mantendo a neutralidade política nas interações.

“A intenção era fazer o que estivesse ao meu alcance para que mais gente conseguisse votar. Não acho justo que deixem de fazer isso porque moram longe da urna”, afirma a gerente de projetos Tamara Menezes, criadora do perfil Voto Sem Fronteiras.

Na Espanha, a técnica de Turismo Giselle Rocha também mobilizou conhecidas para transportar eleitores por centenas de quilômetros.

“Buscamos pessoas que não têm meios de ir e facilitar a vida delas em nome da democracia. Vou em um carro compartilhado com mais quatro amigas, tem gente que vai e nem se conhece”, conta. “Para votar em Madrid são quase 500 km”, acrescenta.

Plataformas de mobilidade autônoma Nos Estados Unidos, iniciativas como o site “Voto Lá Fora”, fundado pelo engenheiro Pedro Morel, ajudam a centralizar ofertas de caronas e abrigo de forma apartidária.

“É muito mais sobre levar mais gente do que levar determinada pessoa que você sabe que vai favorecer seu candidato”, diz Maria Ribeiro, que utilizará a plataforma para dar carona a outra brasileira. “Estou simplesmente cedendo meus dois outros lugares no Uber, não estou cobrando nada por isso. Se tem pessoas que estão deixando de ir votar por uma questão de mobilidade ou incentivo e eu posso ajudar, estou fazendo desse jeito, a plataforma faz muito sentido.”

Segurança jurídica das ações Embora a legislação eleitoral restrinja a distribuição gratuita de transporte e refeições por candidatos ou partidos, juristas esclarecem que ações voluntárias entre cidadãos comuns são permitidas, desde que desvinculadas de finalidades de aliciamento político.

“Uma carona entre vizinhos ou amigos, sem finalidade eleitoral, não tem impedimento por essa jurisprudência”, afirma o professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Bruno Lorencini.

O impacto político do voto expatriado Com a disputa presidencial acirrada, o engajamento dos eleitores no exterior ganha relevância estratégica para o resultado final do pleito, superando o eleitorado de estados inteiros da federação.

“Se o voto for muito apertado, com certeza esses milhares de votos a mais podem fazer a diferença. Então, 500 mil votos a mais, dos que se abstiveram no exterior, são mais do que os votos do estado de Roraima”, conclui Abreu.

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